terça-feira, 1 de julho de 2008

Diário de um lunático - 7

04/05/2007

Olá para todos, sou eu novamente.

Quem tem me acompanhado tem percebido como meu objetivo maior é dar minha opinião sobre alguns grupos religiosos, principalmente comentando o que eu passo algumas vezes. Mas a minha primeira motivação para isto não foi uma religião que pregava algo totalmente diferente do que pratica, ou as notícias de mulçumanos suicídas que me fez acreditar que a religião é um grande mal à humanidade. A minha motivação primeira foi o próprio ateísmo, por isto posso até me considerar um "lunático". Pois poderia com toda justiça ser considerado um ateu, mas prefiro que não seja. A meu ver, o ateísmo é muito mais próximo de uma religião do que todo mundo imagina. E é por isto que resolvi escrever hoje. Algo que li me chamou a atenção, e resolvi considerá-lo aqui.

Estava lendo em algum destes fóruns que freqüento, que a religião atrasou e continua atrasando o progresso. Em outro lugar li que a fé é um sentimento, dizendo com isto que a fé é algo arbitrário. Cheguei até a ler que a religião foi culpada pelas catástrofes ambientais que temos hoje em dia, neste que é o ano da ecologia...

É até curioso que tais afirmações sejam feitas. Até onde eu sei, o ateu, ou como eles gostam de ser chamados - os "céticos" -, são aqueles que questionam acima de tudo. Para eles, só posso dizer que algo acontece quando este algo for empiricamente provado. Já se provou que elétrons percorrem um condutor, quando aplicada uma diferença de potencial entre os pólos deste condutor, e isto eles não duvidam. Agora, não se provou ainda de forma empírica, como avaliar se uma situação é boa ou não. É claro, uma lâmpada ligada em uma noite escura de chuva é algo muito bom. Mas isto infelizmente, é puro sentimento, e ateus não consideram o sentimento digno de crédito. O sentimento é arbitrário, fazendo todo julgamento - sobre algo ser ou não bom - também ser arbitrário.

O que é o progresso? Ao meu ver, progredir é deixar um estado definido para um estado melhor que o anterior. O progresso chegou em minha casa, por que finalmente asfaltaram minha rua! Deixei uma situação péssima, vivendo entre a poeira, para uma melhor, vivendo sem ela. É neste momento que a trapalhada do ateu acima fica evidente... Para se definir progresso, é preciso primeiro definir o que é bom e o que é ruim. E isto ele não pode fazer, pois isto não é definido empiricamente. Ele pode no máximo se basear em conceitos próprios para definir o que é progresso, mas isto deveria ter o mesmo valor para ele do que a fé de um budista. Não pode haver moralidade universal para o ateu, senão qualquer teísta poderia facilmente provar a existência de seu deus. E isto o ateu não pode permitir.

As catástrofes ambientais foram culpa da religião? Eu penso que tal análise seja bastante superficial. Da mesma forma, poderia dizer que toda descoberta científica no passado se deveu à crença em um deus, pois a grande maioria dos cientistas era teísta (boa parte ainda é). Claro que o ateísta não aceitará a segunda declaração, pois tem horror a qualquer intromissão da religião na ciência. Mas se é para ser superficial, então sejamos! Agora, se estivermos dispostos a tratar as duas questões como questões complexas, que necessita de uma análise mais acurada, então nenhuma das duas declarações poderá ser feita.

Finalmente, a fé pode ser um sentimento. E é muito engraçado como exatamente são os sentimentos que me diferenciam do computador que estou usando para escrever neste diário. Será que quando um ateu militante empreende uma campanha de desconversão, ele está querendo robotizar todo mundo? Como é que eles julgam qual sentimento deve ser combatido? Eu realmente queria que sentimentos fossem arbitrários, assim poderia escolher não ficar triste, ou bravo, ou nervoso...

Mas já que eles são totalmente racionais, eu estava imaginando... Há um conhecido argumento chamado "aposta de Pascal", que muitos ateus conhecem e desdenham como uma tentativa absurda e desesperada de conversão. Pascal dizia que era melhor fazer parte de uma religião que prometia a salvação do que ser ateu, pois se esta religião estivesse certa, a vantagem seria infinita. Mas se ela estivesse errada, nada diferente do que o ateísmo já tem aconteceria.

Costumam responder apontando para as "n" religiões que existem, e que mesmo escolhendo a religião "x" não teríamos esta garantia... Bem, vamos usar a razão então. Se existissem "n" religiões que prometessem a salvação e um paraíso após a morte, e considerando que elas são equiprováveis, as chances de você escolher a religião correta seria 1/n. Você pode aumentar "n" que a razão tende a zero, mas não chega a zero. E no ateísmo, a probabilidade de se viver após a morte é 0. Então, o que é maior? 0 ou 1/n? E se não são equiprováveis, não é melhor tentar achar as que possuem maior probabilidade? Para mim, o que a aposta de Pascal prova é que o ateísmo é mais irracional que qualquer religião. E dizem que sentimento não é importante.

Termino hoje por aqui... Sou Pedro, muito obrigado por me tolerar...

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