terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Marcas da guerra



A fotógrafa holandesa Claire Felicie teve a ideia de mostrar as marcas que uma guerra deixa nos rostos dos soldados. Para tanto, fotografou um grupo de fuzileiros navais da Holanda que serviram na província de Uruzgan, no Afeganistão, entre 2009 e 2010, antes, durante e depois de sua missão. O resultado do projeto intitulado Here Are The Young Men ("Aqui Estão os Rapazes") ficou bastante interessante, e se pode perceber por uma simples foto do tipo 3x4 o quanto pesa um conflito na expressão facial de um soldado. O trabalho pode ser conferido no sítio de Claire Felicie ou no Noordelicht.









Como identificar um mentiroso



Muito provavelmente você vai identificar alguém da sua família, dos seus amigos ou mesmo da sua igreja, que se enquadra no padrão descrito pelo artigo abaixo, publicado no BodyOdd e traduzido por Natasha Romanzoti para o HypeScience:

Como identificar um mentiroso

Segundo um novo estudo, o julgamento apressado é mais comum do que se pensa: só precisamos de 20 segundos para decidir se um estranho é ou não confiável.

Pesquisadores americanos recrutaram 24 casais e pediram a cada pessoa para falar sobre um momento em que ele ou ela tinha sofrido. Enquanto isso, as câmeras registraram a reação do parceiro do falante. Um outro grupo revisou os vídeos, e foi capaz de identificar a compaixão falsa na reação dos parceiros dentro de 20 segundos.

Em seguida, os pesquisadores recolheram amostras de DNA dos participantes do estudo. Eles descobriram que 60% dos participantes menos confiáveis não tinham um certo gene receptor, o genótipo GG, que pode controlar a compaixão e empatia.

O receptor ajuda a regular o nível do hormônio oxitocina do corpo, que estudos anteriores ligaram a sentimentos de confiança, empatia e generosidade.

Daqueles classificados como mais confiáveis, 90% carregavam o gene. Mas como o gene é apenas ligado à percepção de sinceridade, isso não significa que a pessoa seja antipática caso não o possua.

Segundo os pesquisadores, os observadores puderam separar os sinceros dos desonestos porque há certos comportamentos que sinalizam confiança e apoio.

Quer identificar um mentiroso? Procure por esses sinais, descritos pelo psicólogo comportamental Marc Salem:

1 – COMPORTAMENTO INCONSISTENTE

“Se alguém normalmente é muito quieto, e de repente torna-se muito animado, ou vice-versa, essa mudança é um sinal vermelho”, diz Salem. O mesmo acontece se uma pessoa está falando de forma suave e rápida, mas de repente seu discurso torna-se mais deliberado ou cortado. “Deslocamentos do padrão de fala são sinais vermelhos para o engodo”, acrescenta.

2 – OLHAR FIRME

“Quando as pessoas pensam ou contemplam algo, é natural que quebrem o contato visual e olhem ao redor”, explica Salem. Se esse comportamento for muito constante, eles não estão lhe escutando ou estão conscientemente tentando ganhar sua confiança. Ambos são sinais de insinceridade.

3 – ESCONDER A BOCA

Tossir, pigarrear com frequência, ou qualquer outro gesto de cobrir a boca pode indicar que uma pessoa está tentando esconder alguma coisa. O mesmo vale para ombros para baixo, corpo curvado, etc. Isso é um sinal de cautela, segundo Salem, e indica uma pessoa não está se abrindo completamente.

4 – SORRISO RÁPIDO

Um sorriso genuíno muda todo o rosto de uma pessoa. Seus olhos se iluminam, e suas bochechas e sobrancelhas se elevam, juntamente com os cantos da boca. O sorriso sincero também leva alguns segundos para desaparecer. Um sorriso falso aparece em um instante, e desaparece tão rapidamente quanto.



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Igreja Católica da Índia celebra libertação dos "intocáveis"

A notícia é da agência católica Zenit:

OS CATÓLICOS DA ÍNDIA SÃO SOLIDÁRIOS COM OS INTOCÁVEIS

Celebrado o domingo de Libertação do Dalit

NOVA DÉLHI, sexta-feira, 16 de dezembro, 2011 (ZENIT.org) - As paróquias indianas comemoraram no último fim de semana o domingo da Libertação dos Dalit, durante o qual os cristãos renovaram seu compromisso com aqueles que, pela origem Dalit (intocáveis ), ainda sofrem o tradicional tratamento reservado à sua casta.

A festa é celebrada todos os anos no domingo mais próximo ao Dia Internacional dos Direitos Humanos, que acontece a cada 10 de dezembro. O tema deste ano foi o nosso Deus com as pessoas que lutam.

A Conferência Episcopal indiana e o Conselho Nacional das Igrejas indianas apoiaram a celebração; orientações especiais foram enviadas para todas as dioceses e congregações religiosas.

"A sociedade indiana ainda está sob o domínio da cultura de castas, que continua a transmitir éticas, atitudes, estruturas que favorecem a desigualdade e práticas de desumanização dos intocáveis", afirmam os bispos indianos em um comunicado publicado no seu site.

"Contrariando a visão de Cristo no Evangelho, a ‘mentalidade da casta' prevalece também na comunidade cristã. Essa viola a dignidade dada por Deus e a igualdade entre os homens. A dignidade humana e o respeito são devidos à pessoa humana e toda negação disso é um pecado contra Deus e os homens "(Declaração sobre as castas da Conferência episcopal indiana de 1982).

O site dos bispos diz que o Domingo da Libertação dos Dalit tem “transmitido ao povo de Deus a esperança de que Deus os acompanha na batalha para alcançar a igualdade de direitos para os Dalit cristãos e para os Dalit muçulmanos e os esforços para construir comunidades de justiça, paz e alegria".



Você é o que você sonha

Não, este não é um artigo de trololó gospel. É sobre a "ciência dos sonhos" a matéria da LiveScience traduzido por Natasha Romanzoti e publicado no HypeScience:

7 fatos incríveis sobre os sonhos

Nem todo mundo que dorme, apaga. Não se você considerar as células do cérebro que se ativam para produzir os sonhos às vezes vivos, e por vezes absolutamente assombrados que ocorrem durante o estágio de sono do movimento rápido dos olhos (REM).

Por que algumas pessoas têm pesadelos, enquanto outras passam suas noites com tranquilidade? Assim como o sono, os sonhos são fenômenos misteriosos. Mas conforme os cientistas são capazes de explorar mais profundamente a nossa mente, eles estão encontrando algumas respostas. Confira um pouco do que sabemos sobre o que se passa na terra dos sonhos:

1 – Sonhos têm significado

Se você sonha em ganhar na loteria ou se acidentar, você deve se preparar para alguma dessas coisas? Se você respondeu “sim”, você não está sozinho.

Pesquisadores descobriram que as pessoas têm fé em seus sonhos, e julgam os que se encaixam com suas próprias crenças como mais significativos do que aqueles que vão contra essa corrente.

“Interpretações psicólogas do significado dos sonhos variam muito”, disse o pesquisador Carey Morewedge. “Mas nossa pesquisa mostra que as pessoas acreditam que seus sonhos fornecem informações significativas para si e seu mundo”.

Em um estudo, 182 pessoas de Boston, EUA, imaginaram que um desses quatro cenários aconteceu na noite anterior a uma viagem agendada: nível de ameaça nacional foi elevado; eles conscientemente pensavam que seu avião ia cair; eles sonharam com um acidente de avião, ou um acidente de avião de verdade ocorreu na rota que eles pretendiam tomar.

Os resultados mostraram que o sonho com o acidente de avião era o que mais provavelmente afetava os planos de viagem do que qualquer outro pensamento sobre uma falha ou um aviso do governo. O sonho também produziu um nível similar de ansiedade que a queda real.

Em outro estudo, 270 homens e mulheres completaram uma pesquisa online em que eles foram convidados a se lembrar de um sonho que tiveram sobre uma pessoa que eles conheciam.

As pessoas atribuíram mais importância aos sonhos agradáveis sobre uma pessoa que gostavam do que com uma pessoa de que não gostavam. E estavam mais propensas a relatar um sonho negativo como mais significativo se era sobre uma pessoa de que não gostavam do que com um amigo.

2 – Pesadelos violentos: alertas de saúde

Como se os pesadelos não fossem ruins o suficiente, um distúrbio raro do sono leva as pessoas a “atuar” seus sonhos, às vezes com movimentos violentos, chutes e gritos.

Segundo estudos, tais sonhos violentos podem ser um sinal precoce de desordens do cérebro, incluindo mal de Parkinson e demência. Os resultados sugerem que estágios iniciais dessas doenças neurodegenerativas podem começar décadas antes de uma pessoa ser diagnosticada.

3 – Pessoas noturnas = mais pesadelos

Ficar acordado até tarde tem suas vantagens, mas sonhos bons não é uma delas. Uma pesquisa publicada esse ano revelou que as corujas são mais propensas do que quem acorda cedo a experimentar pesadelos.

No estudo, 264 estudantes universitários classificaram quantas vezes tiveram pesadelos em uma escala de “0″ (que significa “nunca”) a “4″ (que significa “sempre”). Os tipos mais noturnos tiveram uma média de 2,10, em comparação com os tipos matutinos que tiveram uma média de 1,23.

Os pesquisadores disseram que a diferença era significativa, mas que eles não sabiam o que causava essa ligação entre hábitos de sono e pesadelos. Entre suas ideias, está o hormônio do estresse, cortisol, que atinge seu pico de manhã, logo antes de uma pessoa acordar, um momento em que estamos mais propensos ao sono REM, fase do sonho. Se a pessoa ainda estiver dormindo nesse momento, talvez o aumento do cortisol possa provocar sonhos vívidos ou pesadelos.

4 – Sonhos podem resolver problemas

Os cientistas há muito se perguntam por que nós sonhamos, com respostas que vão desde a ideia de Sigmund Freud de que os sonhos satisfazem nossos desejos até a especulação de que essas viagens melancólicas são apenas um movimento rápido dos olhos, ou sono REM.

Pelo menos parte da razão para sonharmos pode ser o pensamento crítico, de acordo com a psicóloga Deirdre Barrett. Ela descobriu que os sonhos podem nos ajudar a resolver quebra-cabeças que nos assolam durante o dia.

De acordo com Barrett, é o aspecto visual e muitas vezes ilógico dos sonhos que os tornam perfeitos para o tipo de pensamento “fora do comum” que é necessário para resolver alguns problemas.

“Seja qual for o estado em que estamos de sono, nós ainda estamos trabalhando nos mesmos problemas”, disse Barrett, acrescentando que os sonhos podem ter evoluído para uma outra finalidade, mas provavelmente foram aperfeiçoados ao longo do tempo para várias tarefas, inclusive ajudar a “reiniciar” o cérebro e resolver problemas.

5 – Homens têm mais sonhos eróticos

Nenhuma surpresa aqui: os homens são mais propensos do que mulheres a sonhar com sexo. Pior: as mulheres são mais propensas a ter pesadelos.

Em um estudo com quase 200 homens e mulheres com idades entre 18 a 25 anos, a psicóloga Jennie Parker descobriu que os pesadelos das mulheres podiam ser divididos em três categorias: sonhos temerosos (ser perseguida ou ter a vida ameaçada), sonhos que envolvem a perda de um ente querido, ou sonhos confusos.

“Se as mulheres têm que relatar o sonho mais importante que já tiveram, elas são mais propensas do que os homens a relatar um pesadelo muito perturbador”, disse Parker. “As mulheres relatam mais pesadelos, e seus pesadelos são emocionalmente mais intensos que os dos homens”.

Isso não significa que as mulheres não “se divertem” em seus sonhos. Um estudo apresentado em 2007 revelou que, dos cerca de 3.500 relatos de sonhos, aproximadamente 8% continham algum tipo de atividade sexual. O sonho sexual mais comum envolvia penetração, seguido de proposições sexuais, beijos, fantasias e masturbação.

6 – Você pode controlar seus sonhos

Se você estiver interessado em sonhos lúcidos, melhor começar a jogar videogame. Ambos representam realidades alternativas, de acordo com Jayne Gackenbach, psicóloga canadense que estuda o assunto. É claro que eles não são completamente iguais; enquanto os videogames são controlados por computadores e consoles, os sonhos surgem da mente humana.

“Os jogadores são usados para controlar seus ambientes de jogo, de modo que isso pode se traduzir em sonhos”, diz. Sua pesquisa mostrou que as pessoas que frequentemente jogam videogames são mais propensas a ter sonhos lúcidos onde se veem fora de seus corpos, e também são mais capazes de influenciar seus sonhos, como se controlassem um jogo.

Esse nível de controle também pode ajudar os jogadores a tornar um pesadelo horripilante em um sonho tranquilo. Esta espécie de controle poderia ajudar veteranos de guerra que sofrem de síndrome do estresse pós-traumático (TEPT).

7 – Sonhos podem nos ajudar a relaxar

Cientistas descobriram que durante a fase de sonho do sono (também chamada de sono REM), os nossos cérebros mostram uma diminuição dos níveis de certas substâncias químicas associadas ao estresse.

“Sabemos que durante o sono REM há uma diminuição acentuada dos níveis de norepinefrina, um produto químico do cérebro associado ao estresse”, disse o pesquisador Matthew Walker. “Ao reprocessar experiências emocionais anteriores neste ambiente neuro-quimicamente seguro de norepinefrina baixa durante o sono REM, acordamos no dia seguinte e essas experiências foram ‘amolecidas’ em sua força emocional. Nos sentimos melhores sobre elas, sentimos que podemos lidar com esses problemas”, explica.

As conclusões do estudo podem explicar porque pessoas com síndrome do estresse pós-traumático (TEPT), como veteranos de guerra, tem tanta dificuldade em se recuperar de experiências dolorosas e sofrem pesadelos recorrentes. Também pode ser uma explicação para o motivo pelo qual sonhamos – para nos sentirmos melhores e lidarmos melhor com nossos problemas.



domingo, 18 de dezembro de 2011

Globo oferece prato de lentilhas a evangélicos e alguns Esaús aceitam

"Business is business", já diria o caipira. Com a audiência em baixa e a ideologia gospel em alta, era só questão de tempo para que a Rede Globo percebesse a mina de ouro que é o mercado "evangélico" no Brasil, antes território cativo da Record do bispo (enquanto a Globo se especializou em produzir novelas espíritas, diga-se de passagem).

Depois de passar décadas ignorando e ridicularizando os evangélicos em suas novelas e minisséries, a Globo resolveu realizar o evento especial de final de ano, intitulado "Promessas", um fracasso de público ao vivo que vai ao ar em videotape na tarde deste domingo, e que certamente fará os seus artistas gospel (da Som Livre) venderem mais discos.

Foi o suficiente para uma leva de evangélicos, Malafaia incluído, achar que o céu desceu na forma de Vênus Platinada, como a Globo sempre foi conhecida. Não deixa de ser (mais) um misticismo pra esse povo seguir.

Como Esaú vendeu seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas (Hebreus 12:16), ao primeiro aceno mercadológico da antes Babilônia televisiva, lá estavam na rebarba vários cantores e cantoras, sempre com a desculpa na ponta da língua de que estavam fazendo um "serviço" pra Deus.

Como se Ele precisasse da Globo para que o evangelho seja pregado. Não é surpresa, portanto, que alguns tenham viajado na maionese gospel, dizendo que "Deus tocou o coração da Globo".

Agora, quem diria, além de cozinhar lentilhas na Ana Maria Braga, a Globo também "tem coração"... confira na notícia publicada na Folha de S. Paulo de hoje:

Cantora gospel diz que 'Deus tocou o coração da Globo'

Festival Promessas reuniu público abaixo do esperado no Rio, mas artistas e fiéis o classificam como 'evento histórico'

Rede carioca, que exibe show hoje, montou estrutura com um helicóptero, câmeras de alta definição e gruas

MARCO AURÉLIO CANÔNICO
DO RIO

"Este é um evento histórico", dizia o animador de palco, tentando inspirar o pequeno público que aguardava o início do festival Promessas, no sábado passado. "Você vai poder dizer que esteve no primeiro evento evangélico que a Globo organizou!"

No palco como na plateia, a visão de que se tratava de um "evento histórico" estava disseminada entre os fiéis -boa parte vinda de municípios da Baixada Fluminense e de subúrbios distantes do Aterro do Flamengo (onde o festival aconteceu).

O baixo quórum não preocupava: todos apostavam na capacidade da emissora líder de disseminar "a palavra de Deus" para uma audiência abrangente.

"É a concretização de um clamor de muitos anos. Vai marcar a história", disse a pastora e cantora Ludmila Ferber. "É maravilhoso que a Globo tenha abraçado a causa e entendido quão poderosa é a mensagem de Deus."

Fé à parte, o aspecto comercial da empreitada -para a qual a Globo montou uma grande estrutura de divulgação e de transmissão (14 câmeras de alta definição, gruas, helicóptero)- não escapou aos religiosos.

"A Globo era a única emissora que não abria para os evangélicos. Notou que estava ficando para trás", disse Erisvaldo Oliveira, 26, fiel da primeira Igreja Batista da Ponte Preta, de Magé (RJ).

"Ela sabe que vai passar a ter muito mais audiência."

A disputa pelos telespectadores (e pelos ouvintes, já que parte dos artistas tem discos lançados pela Som Livre, gravadora ligada à Globo) era, no entanto, relativizada pelos participantes.

"Eu sei que, a princípio, todo mundo pensa em grana, em 'business'. É claro que isso existe, nós somos de carne e osso, mas acima disso tudo está o propósito de Deus para esta nação", disse o cantor Fernandinho, um dos mais aguardados do festival.

Os evangélicos também celebravam o evento como um ponto de inflexão no tratamento dispensado a eles pela emissora carioca.

"A Bíblia diz que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Deus é o Senhor", afirmou a enfermeira Janaína Silva, 28, citando um trecho da Carta aos Romanos.

"A Globo fez isso agora porque Deus tocou o coração deles. Era o momento certo, Deus não chega atrasado", disse a cantora Damares.





Revelados documentos e fotos dos voos da morte da ditadura argentina

Viver numa democracia não é o melhor dos mundos, mas ainda não inventaram um sistema político melhor, com o perdão da redundância proposital. Por isso é sempre bom recordar em que resultaram as alternativas ditatoriais e totalitárias que alguns ainda defendem, ainda que nos doa imaginar que seres humanos foram capazes de barbarizar outros seres humanos por divergências de opinião com este requinte de crueldade. Os "voos da morte" foram um dos meios utilizados pela ditadura militar argentina para se livrar dos seus opositores. Estima-se que cerca de 30 mil pessoas simplesmente "desapareceram" do país em circunstâncias que raramente foram esclarecidas. Muitas delas estavam nos aviões que sobrevoavam o Rio da Prata e o Oceano Atlântico, e eram jogadas lá de cima com os pés e as mãos amarradas para que não tivessem nem a improvável chance de - sobrevivendo à queda - nadar milhas e milhas até a praia mais próxima. O jornalista argentino Ariel Palacios, correspondente do Estadão e da Globo News em Buenos Aires, dá os detalhes escabrosos (com algumas fotos) dessas mortes e conta como os presos eram torturados antes de embarcar no voo final, isto em seu blog. A juventude de hoje, que não enfrentou nada parecido com o monstro da ditadura, anda tão indiferente, inconsequente e reacionária, que a gente tem sempre que relembrá-los do que a vida deles poderia ter sido. No final do seu relato, Ariel Palacios comenta ainda sobre um capitão de corveta que tinha delírios à noite e na manhã seguinte comentava com seus colegas que havia conversado com o "menino Jesus" para saber quais prisioneiros ele ia mandar atirar lá de cima. Miséria humana em doses cavalares. Recomenda-se estômago forte para ler artigo a seguir:


“Voos da morte”: CIDH revela fotografias e documentos sobre as vítimas

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) entregou nesta quinta-feira 130 fotos inéditas de vítimas dos denominados “voos da morte”, denominação dos voos que a aeronáutica naval argentina realizava durante a ditadura militar (1976-83) sobre o rio da Prata e o mar para jogar nas águas os prisioneiros, ainda vivos, desde os aviões. A maior parte dos cadáveres dos prisioneiros políticos argentinos encontrados naquela época foram levados pela correnteza às costas do Uruguai, cujo governo acreditava no início que eram vítimas de um naufrágio de um navio asiático.

Além das fotografias – de alta qualidade – a CIDH enviou à Buenos Aires relatórios dos anos 70 da Guarda Costeira e dos serviços de inteligência do Uruguai sobre a descoberta dos corpos nas praias uruguaias.

O material também contém mapas indicando onde os corpos foram encontrados. A maior parte dos cadáveres apareceram nas praias entre as cidades de Colônia (sobre o rio da Prata) e La Paloma (no oceano Atlântico).

As fotografias mostram pessoas nuas, a maioria com as mãos e os pés amarrados com cordas. Os militares argentinos teriam amarrado os prisioneiros para evitar distúrbios dentro dos aviões, além de impedir que tivessem qualquer chance de nadar, em caso de sobrevivência quando eram arremessadas desde os aviões.

Os corpos também exibem marcas de torturas, como fraturas ósseas múltiplas no tórax e membros, além de crânios esfacelados. Os cadáveres exibem marcas de choques elétricos.

Em vários casos, especialmente mulheres, os cadáveres tinham marcas de perfurações feitas com objetos pontiagudos em seus púbis e ânus. Outra foto mostra um homem que havia sido castrado com um certeiro corte de faca pouco tempo antes de sua morte.

O material fotográfico e os relatórios feitos na época pela Guarda-Marinha do Uruguai foram entregues ontem ao juiz federal Sérgio Torres, responsável pelas investigações e o julgamento dos envolvidos no “mega-processo ESMA”, denominação do processo que envolve dezenas de ex-torturadores da Escola de Mecânica da Armada (ESMA).

Os arquivos confidenciais, que pertencem ao relatório secreto realizado pela CIDH entre 1979 e 1980 na Argentina e no Uruguai, foram encontrados em novembro pelo juiz Torres dentro de 65 caixas na sede da Comissão Interamericana, nos EUA.

Ao ver os primeiros relatórios Torres fez algumas fotocópias. Mas, depois, ao perceber que ali poderia estar material que pudesse comprovar a existência dos “voos da morte”, solicitou à CIDH o material original.

O secretário-executivo da CIDH, Santiago Cantón, declarou que estes documentos possuem alto valor, já que até agora, todas as provas sobre os voos da morte eram depoimentos.

Os integrantes atuais da CIDH não sabem qual é a origem dos documentos encontrados. No entanto, suspeitam que poderiam ter sido entregues pelo ex-marinheiro e fotógrafo da Marinha uruguaia, Daniel Rey Piuma, que – chocado pelos horrores da ditadura de seu país (1973-85), desertou e fugiu para o Brasil. Posteriormente pediu asilo na Holanda, onde reside. Piuma teria escapado do Uruguai com material fotográfico que teria entregue a representantes do CIDH no Brasil na época.

A revelação da documentação é uma atitude inédita da CIDH, que pela primeira vez abre seus arquivos confidenciais para seu uso em um processo na Justiça. Além disso, os documentos poderiam gerar um pedido da Justiça argentina ao Estado uruguaio para que Montevidéu desclassifique os documentos relacionados à descoberta de corpos de argentinos nas costas do Uruguai nos tempos da ditadura.

Estimativas de ONG argentinas e de organismos internacionais como a Anistia Internacional indicam que a ditadura argentina assassinou 30 mil civis. Destes, 5 mil teriam passado pela ESMA. Menos de 150 sobreviveram às torturas e os fuzilamentos feitos pelos oficiais da Marinha.

A ESMA era comandada pelo almirante Emilio Massera, definido pelo escritor Miguel Bonasso como “o serial killer com sorriso de Gardel”, em alusão à sua crueldade e personalidade esquizofrênica. Massera morreu em novembro do ano passado, após uma década em estado vegetativo.

EMPALADO VIVO - Uma das fotos, relativas a três corpos encontrados no dia 22 de abril de 1976, quase um mês após o golpe que deu início à ditadura argentina, mostra o cadáver de um jovem com a marca de uma tatuagem com as letras “FA”. Segundo a Equipe Argentina de Antropologia Legista – responsável pela identificação de centenas de corpos de desaparecidos nos últimos anos – a foto seria do cadáver do adolescente Floreal Avellaneda, sequestrado no dia 15 de abril. O corpo, com a tatuagem que o jovem havia feito, foi encontrado pelos uruguaios e enterrado em Montevidéu. Posteriormente sua família foi informada sobre a descoberta do corpo do garoto.

Filho de um casal de sindicalistas militantes do Partido Comunista, Floreal, que tinha 14 anos quando foi sequestrado, sofreu torturas nas mãos e genitais. Depois, foi empalado vivo.

CORPOS NAS PRAIAS - Na época do surgimento dos primeiros cadáveres, a ditadura militar uruguaia acreditou que tratavam-se de pessoas afogadas em um naufrágio de um navio asiático. Os militares confundiram no início que eram de etnias orientais, pois os corpos estavam “amarelos”. Mas, posteriormente perceberam que tratavam-se de ocidentais.

Nos anos seguintes os militares em Montevidéu reclamaram aos colegas argentinos em Buenos Aires que o surgimentos de corpos em suas praias estavam causando constrangimentos ao regime, além de pânico nos turistas, que deparavam-se com os cadáveres trazidos pela maré. A partir dali, os pilotos argentinos deixaram de arremessar os prisioneiros na área do rio da Prata começaram a fazer voos até o mar. No entanto, as correntes marítimas continuaram levando os corpos às costas uruguaias.

VALOR DOS DOCUMENTOS - Valeria Barbuto, diretora da área de pesquisa do Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS), disse ao Estado que a revelação das fotos e documentos por parte da CIDH é “fantástico”, pois “demonstra que ainda existem muitos documentos que ainda não conhecemos e que podem ser de utilidade para a memória e as investigações na Justiça”. Segundo ela, “esta contribuição de documentos confere mais solidez aos processos na Justiça” sobre os crimes da ditadura.

Barbuto sustentou que o real valor destes documentos “poderá ser avaliado ao longo das próximas semanas”. Segundo ela, o material entregue pela Comissão Interamericana “servirá para provar que os voos da morte eram uma sistemática da ditadura e não algo circunstancial”.

A representante do CELS considera que a desclassificação dos documentos da CIDH estimulará que vários países da região acelerem o processo de abertura de seus arquivos sobre os períodos das ditaduras no Cone Sul.

DITADURA ARGENTINA APLICOU VÁRIOS MÉTODOS PARA ELIMINAR PRISIONEIROS

Tal como os funcionários do Terceiro Reich que recorreram aos fornos crematórios para eliminar os prisioneiros dos campos de concentração – como forma rápida de eliminar os vestígios dos corpos dos judeus massacrados – a ditadura argentina optou pelos “voos da morte” como uma de suas modalidades preferidas para “desaparecer” as pessoas sequestradas.

Adolfo Scilingo, ex-capitão da Marinha que em 1995, arrependido de sua participação nos “voos da morte”, revelou que 4.400 pessoas foram assassinadas ao serem arremessadas no rio da Prata e no mar desde os aviões da Marinha. Scilingo, condenado a 640 anos de prisão pelos tribunais da Espanha por crimes contra a Humanidade, sustentou que os voos da morte não eram um procedimento circunstancial, mas sim, parte de um plano de grande escala de eliminação dos corpos dos desaparecidos.

Além da Armada argentina, a Aeronáutica e o Exército também realizaram “voos da morte”, embora em menor escala, já que estas duas forças preferiam o enterro dos cadáveres em fossas comuns clandestinas. Na quarta-feira, na província de Tucumán, no norte da Argentina, a Justiça revelou a descoberta de uma fossa comum com quinze corpos de desaparecidos da ditadura.

Um dos corpos encontrados foi o do ex-senador Guillermo Vargas Ainasse, que foi sequestrado pelos militares em abril de 1976, aos 35 anos. A Equipe de Antropologia Legista fez um exame de DNA

A ditadura argentina também amarrava prisioneiros e os dinamitava vivos, além de fuzilamentos em massa.

PROTAGONISTA DOS VOOS FALAVA COM O ‘PEQUENO JESUS’ - Um dos criadores dos “voos da morte” foi o capitão de corveta Jorge “Tigre” Acosta, uma das “estrelas” da ESMA. O oficial, que falava sozinho à noite, em delírio místico explicava aos colegas e prisioneiros que mantinha longas conversas noturnas com “Jesucito” (O pequeno Jesus), ao qual perguntava qual dos prisioneiros deveria torturar no dia seguinte e jogar dos aviões.

Acosta – famoso pelos requintes de crueldade que aplicava aos detidos – também foi um dos principais sequestradores dos bebês de prisioneiras da ESMA, em cuja maternidade clandestina nasceram mais de cem bebês.

Em outubro passado, Acosta, acusado de violar diversas prisioneiras, foi condenado à prisão perpétua por seus crimes durante a ditadura.



sábado, 17 de dezembro de 2011

Adeus, Cesária Évora

Cabo Verde, este pequeno arquipélago lusófono no meio do Oceano Atlântico, deu ao mundo uma de suas pérolas mais belas e raras: Cesária Évora, a diva dos pés descalços, que morreu hoje aos 70 anos na sua querida ilha de São Vicente, deixando triste uma legião de admiradores de todos os povos e países.

Tive o prazer de ver uma apresentação dela em 2000, no Teatro Alfa Real de São Paulo, em que ela cantava exatamente "São Vicente", esse "pequeno Brasilim chei de ligria chei de cor", nesse dialeto português conhecido como crioulo cabo-verdiano, tão difícil de entender quanto gostoso de ouvir.

Que privilégio foi tê-la visto cantar. Por sinal, é essa apresentação de 2000 que está registrada no vídeo abaixo:


Infelizmente, nem todo mundo teve o prazer de conhecer e ouvir Cesária Évora, infestada que está a cultura mundial pela massificação facilmente digerível e pelo achatamento das consciências e dos ideais.

Sua ausência dos palcos e da vida deixará um vazio impossível de ser reposto.

Além de lamentar a perda incalculável, só nos resta continuar celebrando sua vida com as canções que caíram perfeitas na sua voz.

Como se diz em bom cabo-verdiano, que "sodade" ela deixará.

Cesária Évora tinha algo de razão em cantar descalça: o chão que ela pisava tinha mesmo algo de sagrado, assim como sua voz:












O Cristo mendigo de Joãozinho Trinta



Morreu hoje aos 78 anos de idade o carnavalesco Joãosinho Trinta, um dos artistas populares mais queridos do Brasil.

Antes do desfile de escolas de samba ter se tornado essa embalagem hermeticamente fechada para atender aos desejos publicitários e financeiros das redes de televisão, com suas narrações (do óbvio) tontas e irritantes, ele foi responsável por algumas pequenas revoluções na maneira de se expressar - de maneira organizada - a mais conhecida arte popular brasileira no mundo (já que nosso futebol deixou de ser arte faz algum tempo).

Primeiro, por ter usado e abusado do luxo nos desfiles do Salgueiro e da Beija-Flor nos anos 1970, o que o fez proferir uma de suas mais famosas frases: "povo gosta é de luxo; quem gosta de pobreza é intelectual".

Em 1989, para responder às críticas de que havia transformado o carnaval carioca num desfile apenas de luxo, produziu um dos mais polêmicos e belos carnavais de que se tem notícia, o "Ratos e Urubus, Larguem a Minha Fantasia", celebrando os mendigos e a reciclagem do lixo, isso num tempo em que não era comum ser política, social e ecologicamente correto.

Comprou uma briga com a Arquidiocese católica do Rio de Janeiro, que o proibiu de levar à Marquês de Sapucaí um carro alegórico em que o Cristo Redentor era estilizado como um mendigo.

Com a sua genialidade cabocla, Joãozinho Trinta não teve dúvida: colocou um invólucro preto enorme na imagem do Cristo com a frase bem visível: "Mesmo proibido, olhai por nós!".

Ajudado por um bom samba, o carnaval de mendigos da Beija-Flor encantou o Sambódromo carioca, mas ficou em 2º lugar, atrás da Imperatriz Leopoldinense, com o seu anódino e tecnicamente perfeito "Liberdade! Liberdade!", que celebrava o centenário da proclamação da República.

Do desfile da Imperatriz, pouca gente se lembra, mas o Cristo, os ratos, urubus e mendigos de Joãosinho Trinta marcaram época e serão sempre relembrados quando alguém se cansar de ouvir a explicação tola - pelo narrador da Globo - do enredo bolado pelo carnavalesco surtado e quiser ver imagens que valem mais que mil palavras.



Por outro lado, ao proibir a imagem do Cristo mendigo, a igreja católica perdeu uma grande oportunidade de reforçar - num evento popular daquela dimensão - a imagem de Cristo como servo sofredor, como alguém humilde e do povo, que não se preocupava nem um pouco com riquezas.

Naquela época, a tal "teologia" da prosperidade ainda engatinhava no Brasil, e pouca gente se dava conta de que aquela pregação louca e materialista ia gerar as mega-igrejas com seus pastores super-poderosos, ávidos por dinheiro e prometendo mundos e fundos em troca de "sementes" financeiras.

Analisando em retrospectiva, a Arquidiocese carioca deu um tiro no pé não só dos católicos, mas também no dos evangélicos de então, aqueles que honravam este nome.

Unidos pelo repúdio à festa pagã do carnaval, não perceberam a serpente que se esgueirava pelos corredores dos seus próprios átrios.

Talvez a imagem do Cristo Redentor mendigo entre os mendigos vacinasse, de certa maneira e pelo menos por algum tempo, o povão contra esse discurso enganoso e utilitário da "prosperidade" barganhada pelo deus dinheiro.

Não foi culpa do Joãosinho Trinta, entretanto. Ele bem que avisou.

Talvez se algum carnavalesco quisesse colocar outra imagem de Cristo no Sambódromo hoje em dia, ela teria que vir toda banhada em ouro e cravejada de brilhantes, para se adequar ao próspero discurso "evangélico" atual (e aos sonhos de consumo dessa parcela da população).

Abaixo, dois vídeos de 1989 para relembrar toda a polêmica.

No primeiro, aparece a imagem vedada com a faixa; no segundo, o Cristo mendigo tem sua vedação arrancada durante o desfile das campeãs, com os comentários emocionados de Fernando Pamplona, que no final do vídeo compara o carnaval carioca com a Paixão de Cristo em Nova Jerusalém (Pernambuco):




Atualização de 20/02/12:

A linda homenagem prestada pela Beija-Flor no carnaval de 2012 a Joãosinho Trinta, num carro alegórico em que, ao invés do Cristo mendigo, trazia uma escultura com o carnavalesco de braços abertos:









Natal nazista



O regime nazista alemão foi de tal modo a encarnação do mal nos tempos ditos "modernos", que fica difícil imaginar que eles "comemoravam" o Natal em pleno reinado do terror antes e durante a Segunda Guerra Mundial. Sim, eles comemoravam, como se nada estivesse acontecendo fora das salas aquecidas pelas lareiras, enquanto ainda havia lenha e combustível para alimentá-las. A máquina de propaganda nazista revela, entretanto, que já naquela época muito pouco se pensava no verdadeiro significado do Natal, e a data era utilizada apenas pelo seu lado "útil" e místico de reforçar os laços patrióticos dos alemães. Nesse reino de associações improváveis, hoje parece inacreditável, por exemplo, que a frase darwiniana de Hitler inscrita no cartão de Natal abaixo tenha sido utilizada um dia como expressão de votos natalinos. A tradução dela é a seguinte: "Toda a Natureza é uma gigante luta entre a força e a fraqueza, uma eterna vitória do forte sobre o fraco". Resta a dúvida cruel: o que seleção natural tem a ver com Natal?



Nesses mórbidos cartões, Adolf Hitler é apresentado como o compungido "Pai da Nação Superior", que olha a árvore de Natal com olhos talvez preocupados com os "Filhos da Pátria" que estão imobilizados passando frio no inverno inclemente do front soviético:



Mesma preocupação, por sinal, que assola as famílias dos soldados que lutam por uma causa supostamente justa, enquanto eles tentam se aquecer e festejar o Natal nos seus abrigos gelados:









Era inevitável, por outro lado, que a morte nos campos de batalha fizesse parte desse contexto natalino conforme as derrotas iam sendo impostas ao exército alemão. Mesmo assim, a propaganda nazista tratava de "dourar a pílula" para desviar a atenção da população daquilo que realmente acontecia no front:

Através da sua bravura, vocês nos presenteiam - em casa - com um lindo Natal. Cada criança, quando vê o brilho da chama das velas e canta as canções de Natal, pensa em vocês, cheia de gratidão.
Na guerra ou na paz, vocês nunca podem esquecer a silenciosa gratidão e a obrigação que se deve àqueles cujos sacrifícios permite que vocês celebrem o Natal. Desta forma, uma vela deveria ser acesa em cada lar em memória daqueles mais leais que são os eternos vigilantes nos mais longínquos fronts dessa guerra




Filmes pouco conhecidos da época mostram como o próprio Führer fazia questão de se mostrar uma pessoa "normal", comemorando o Natal com os filhos de seu assecla Martin Bormann:



Embora o filme mais revelador seja essa propaganda cinematográfica de 1937, antes do início da 2ª Guerra, portanto, que merece (e deve) ser vista até o final, em que fica claríssimo o propósito nazista de que o próprio significado do Natal fosse sendo solene e gradualmente desvirtuado e dirigido até a "nazificação" total da sociedade alemã (e do mundo, caso eles tivessem vencido afinal):



São fatos históricos da manipulação do significado do Natal que nunca podem ser esquecidos. Devem ser sempre relembrados para que a tragédia não se repita jamais.


Fontes das imagens: German Propaganda Archive e Calvin College


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Militante ateu Christopher Hitchens morre aos 62 anos de idade



(1949 - 2011)

Conforme já havíamos divulgado aqui no blog no último mês de março, o conhecido militante ateu britânico (radicado nos Estados Unidos) Christopher Hitchens sofria de câncer no esôfago bastante agressivo, pelo que vinha fazendo tratamentos experimentais inclusive com o auxílio de seu oponente (apenas nos debates) cristão Francis S. Collins (leia a história clicando aqui), mas infelizmente não foi possível dar-lhe uma sobrevida um tanto quanto mais longa e digna, pelo que Hitchens veio a falecer em Houston, no Texas, na noite passada, em decorrência de uma pneumonia relacionada ao seu sofrível estado clínico.

Apesar de Hitchens ser um militante ateu que já esteve envolvido em várias polêmicas registradas aqui no blog (clique aqui para lê-las), não sentimos nenhum tipo de alegria ou mórbida vingança na sua morte, pelo contrário, lamentamos profundamente.

As palavras do cristão John Donne (1572-1631) expressam essa sensação estranha de perda de um ser humano como ninguém conseguiu colocar no papel até hoje:
“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.




quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Geração de perdedores

O discurso triunfalista de boa parte da igreja evangélica brasileira atual sempre faz questão de enfatizar uma certa "geração de vencedores" no sentido materialista da expressão, pregando que os crentes devem ser vistos e reconhecidos por suas vitórias e riquezas devidamente contabilizadas nas suas contas pessoais e financeiras. Nessa equação, Deus é apenas uma espécie de "gênio da lâmpada" que é "obrigado", mediante um pacto qualquer, a cobrir de bens todo aquele que lança uma "semente" na conta da "igreja", movimentada sabe-se lá por quem. Nada mais competitivo e capitalista, no pior sentido das palavras. A letra da linda canção abaixo, "I Never Lost My Praise" ("Eu Nunca Perdi Meu Louvor" - com legendas em português), na magnífica interpretação do Brooklyn Tabernacle Choir, recoloca a verdade bíblica no seu devido lugar, aquele ensinado por Paulo em Romanos 8:

35 quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
36 Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro.
37 Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou.
38 Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades,
39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.

Esses são os verdadeiros "vencedores", aqueles que - mesmo que estejam vivendo como ovelhas no doloroso trajeto até o matadouro - estão seguros em Deus, e nunca perdem a esperança, a alegria, a fé e o louvor. Pena que muito pouca gente seja capaz de entender essa mensagem nas "igrejas" modernas, escravas que são da "teologia" (na verdade, "ideologia") da prosperidade, mas quem tiver ouvidos para ouvir, ouça:





quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Matisyahu fez a barba

Matisyahu, pra quem não se lembra, é um excelente cantor e compositor de uma espécie de "reggae judeu", misturado com influências do rap e do hip hop, que chama a atenção não só por seu talento musical que extrapola - felizmente - o mau gosto que impera no mundo hoje, mas também pela sua origem judaica ortodoxa.

Aqui no blog já tivemos oportunidade de mostrar duas de suas canções (clique aqui para ouvi-las). O cantor sempre se apresentava com as vestimentas típicas de um judeu ortodoxo, chapéu esquisito incluído, e a não menos tradicional barba que tanto caracteriza esse grupo hebraico também conhecido como "chassídico" ("piedoso", "devoto" em hebraico), devido à sua ênfase nas práticas espirituais, numa, digamos, versão judaica do pietismo cristão.

 Quando se falava em Matisyahu, além da boa música, se associava ao nome de imediato a imagem de um judeu ortodoxo.

Deve ser por isso que ontem, 13 de dezembro, os seus admiradores de todas as confissões (e até da falta delas) ficaram surpresos ao ver uma foto sua sem barba no seu twitter, o que fez com que os céus desabassem sobre as cabeças de seus fãs, que na grande maioria não são judeus nem ortodoxos.

O fato mais que corriqueiro virou notícia imediatamente. Ficou no ar a suspeita de que Matisyahu havia, por alguma razão, abandonado o judaísmo, e a repercussão foi tão grande que ele foi obrigado a soltar uma nota oficial no seu sítio oficial, com o seguinte teor, um tanto quanto enigmático:
Esta manhã eu postei uma foto minha no twitter.



Não mais um superstar chassídico do reggae.

Desculpe, galera, tudo o que vocês têm sou eu, não um apelido. Quando eu comecei a ficar religioso 10 anos atrás, foi um processo muito natural e orgânico. Foi uma escolha minha. Minha jornada para descobrir minhas raízes e explorar a espiritualidade judaica - não através de livros mas mediante a vida real. Ao chegar num certo ponto, eu senti a necessidade de me submeter a um nível mais alto de religiosidade... a sair da minha intuição e a aceitar a verdade última. Eu senti que para me tornar uma boa pessoa eu precisava de regras - muitas delas - senão de alguma maneira eu tropeçaria. Eu estou me pedindo de volta. Crendo na minha bondade e na minha missão divina.

Fiquem prontos para um ano maravilhoso repleto de músicas de renascimento. E quanto aqueles preocupados com a minha face nua, não se preocupem... vocês não viram meus últimos pelos faciais.

- Matisyahu
A nota oficial não ajudou muito a esclarecer as coisas, e os boatos se multiplicaram. Hoje, no seu twitter, o cantor tratou de postar alguns versículos dos Salmos, além de frisar que continua fazendo seus rituais religiosos.

De fato, é estranho ver Matisyahu sem barba, mas se ele prometeu para 2012 "um ano maravilhoso repleto de músicas de renascimento", vamos torcer para que não lhe aconteça nada parecido com o que aconteceu quando Sansão teve o cabelo cortado.

Que o talento de Matisyahu, a sua verdadeira força, permaneça por muito tempo convocando o mundo para a boa música e - principalmente - a paz, como na canção "One Day", que merece ser ouvida sempre. Matisyahu é essencial:


Matisyahu's new look (October 2012):





Promova a festa de aniversário do seu filho num orfanato



Esta é uma ideia simples e sensacional, que merece ser conhecida e divulgada para - quem sabe - seja repetida muitas vezes Brasil afora.

Em vez de organizar aquelas tradicionais festas de aniversário para seu filho em casa ou num buffet infantil, com pouca gente (e interação entre elas), que tal acrescentar um caminhão de solidariedade a um momento tão feliz e realizá-las num orfanato?

Foi esta ideia simples que moveu um casal do Rio de Janeiro que, para comemorar o primeiro aniversário da primogênita Isabela, resolveu compartilhar a festa com as crianças do Orfanato Romão Duarte, no Flamengo.

Além de conhecerem um lugar aonde - provavelmente - nunca iriam na vida, os convidados ainda levaram presentes para todas as crianças.

Foi uma overdose de amor, como conta a Luana, do blog limo bag, onde você pode saber de mais detalhes e ver mais fotos dessa iniciativa solidária tão simples de implementar e tão brilhante no resultado.

Pensando bem, é tão possível ser feliz, e compartilhar essa felicidade com quem a gente nem conhece pode ser melhor ainda...








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