quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Jogador derrota Corinthians com mão na bola e diz que "Deus honrou sua fé"

Este que vos escreve não nutre nenhuma simpatia pelo Corinthians, mas não se pode deixar passar batido o gol irregular que derrotou o time paulista ontem à noite, na partida válida pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil, vencida por 1x0 pelo Luverdense no acanhado estádio de Lucas do Rio Verde (MT).

Após nitidamente dominar a bola com a mão, o atacante Misael, do Luverdense, chutou com o pé esquerdo e a pelota venceu o goleiro Cássio, do Corinthians, no último minuto de jogo, conforme você pode ver no vídeo no final deste texto.

Jogada ilegal corriqueira no mundo do futebol, o destaque negativo nem vai para o lance irregular de Misael, mas para as suas declarações repetitivas assim que terminou a partida, em que insistiu em dizer aos repórteres que "Deus honrou a sua fé" ao ter-lhe permitido marcar um gol enganando o árbitro e contrariando as regras do futebol.

Toda vez que acendia um holofote e aparecia um microfone na sua frente, Misael fazia questão de afirmar que o toque de mão foi involuntário e que "Deus honrou a sua fé".

Só que qualquer pessoa minimamente isenta, ao ver e rever o lance, terá que concordar que não houve nenhuma involuntariedade de Misael, e o jogador realmente meteu a mão na bola.

Alguém poderá dizer que essa malandragem faz parte do futebol, afinal quem não se recorda da "mano de Dios" de Maradona na vitória de 2x1 da Argentina contra a Inglaterra pelas quartas-de-final da Copa do Mundo de 1986, no México?

Tudo bem que Maradona faria, naquela mesma partida, o gol que muitos consideram o mais belo da história das Copas do Mundo, em que driblou 6 jogadores ingleses, e que, cá entre nós, vale por dois, pelo menos:


Não conheço Misael, mas a julgar pelo chavão gospel "Deus honrou minha fé", muito provavelmente ele é evangélico e faz parte dessa relativamente recente safra de "evangélicos" que acham que ser cristão é aderir a um discurso utilitário, de aparências, em que os fins justificam os meios, em que não há espaço para valores éticos sobre como se conduzir na vida.

Ainda que, num mundo ideal, os jogadores que cometessem ou simulassem uma falta deveriam avisar o árbitro iludido que ele marcou errado (ou não marcou) a infração, ninguém espera que os atletas que se dizem cristãos sejam tão rigorosamente éticos a ponto de pararem a jogada para avisar o juiz que ele estava impedido ou que foi pênalti.

Todos sabemos que o futebol é um esporte disputado no calor da emoção e da correria, e qualquer um de nós está sujeito ao desejo morbidamente humano de levar vantagem sobre o outro, independentemente do campo em que estivermos competindo.

Entretanto, para esses "evangélicos", não existe problema algum em mentir depois da partida, dizendo que não houve intenção de meter a mão na bola, desde que você possa dizer que "Deus honrou a sua fé".

No fundo, o que você está dizendo é que o Todo-Poderoso é cúmplice da sua esperteza e malandragem. Qualquer trapalhada que você fizer na vida, é só arrematar com um "Deus honrou minha fé" que está tudo bem...

A fé que Deus honra, entretanto, como já tivemos oportunidade de comentar em artigo de junho de 2009, é uma fé muito mais simples, singela e - principalmente - ética. 

Não requer luzes ou microfones para ser anunciada e - sobretudo - vivida.




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