quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A cura para o fanatismo

O psicanalista e professor Raymundo de Lima escreveu um artigo interessante, o qual chamou de “breve ensaio”, na Revista Espaço Acadêmico, intitulado “O fanatismo religioso entre outros”. 

O texto foi escrito e publicado em 2002, na esteira dos atentados terroristas contra o World Trade Center (o tristemente famoso 11 de setembro de 2001) e é natural que o articulista carregue nas tintas contra o fanatismo religioso de qualquer espécie. 

 Passados alguns anos, não deixa de ser proveitosa a sua releitura, principalmente para nós que podemos ser considerados crentes e/ou religiosos até um certo ponto, inclusive para que façamos uma crítica (e autocrítica) do que nos envolve e acontece à nossa volta.

O professor Lima toca num ponto que nós raramente nos damos conta, mas, a meu ver, é perfeitamente constatável: o fanático não tem senso de humor

Em seus diferentes níveis de fanatismo, podemos perceber que o fanático leva tudo muito a sério e é incapaz de ver graça nas atitudes mais corriqueiras e nas conversas mais simples. 

A palavra “graça” aqui tem o sentido de “diversão”, “humor”, mas no caso do cristianismo, fica fácil compreender a dificuldade que o fanático – de roupagem cristã – tem para entender o alcance e a profundidade da graça de Deus. 

Para ele, tudo é preto ou branco, sem gradações de cor. Ele escolhe um lado e todos os outros que estiverem do outro lado são seus inimigos, com os quais não deve sequer dialogar. 

Geralmente é sisudo, procura manter uma aparência séria e impenetrável, além de evitar toda e qualquer atividade lúdica na qual um sorriso possa ser esboçado. Neste aspecto, o artigo cita Amos Oz e aponta o bom humor como a cura para o fanatismo:



O fanatismo parece ser uma doença contagiosa, pois tem o poder de atrair adeptos geralmente em crise profunda de vida pessoal. Fanáticos e suicidas tem em comum a falta de humor e o desapego pela própria vida. A certeza cega tira-lhes o humor e os colocam no caminho do sacrifício místico.

O escritor e pacifista israelense, Amós Oz, numa carta ao escritor japonês Kenzaburo Oe, Prêmio Nobel de 1994, escreve ter encontrado a "cura para o fanatismo": o bom humor. Diz que: "nunca vi um fanático bem-humorado, nem alguém bem-humorado se tornar fanático". Oz imagina uma forma mágica de prevenir o fanatismo: um novo tipo de messias que "chegará rindo e contando piadas".

Emil Cioran, um filósofo amargo e pessimista, vê nas atitudes dos céticos, dos preguiçosos e dos estetas, os únicos que verdadeiramente estão a salvo do fanatismo. Já os religiosos estreitos, os políticos sectários, os dogmáticos que habitam em todas as áreas do conhecimento, tendem ao fanatismo com seus instrumentos próprios. O fanático jamais se pensa ser fanático.

Enfim, é preciso estarmos atentos e preparados para resistir os apelos do fanatismo que como erva daninha não escolhe lugar para germinar e se alastrar. Os grupos fanáticos exercem um atrativo para os indivíduos que possuem uma estrutura psíquica vulnerável, os desesperados, os desgarrados, os avessos ao espírito crítico ou predispostos à crendice, ao desejo de encontrar uma certeza e a se "contentar-se com pouco" na terra, porque ele tem certeza de que ganhará na suposta vida após a morte. Tanto o fanatismo como a guerra estão entre as situações que se encontram na contramão da sabedoria.



É claro que toda e qualquer generalização é insuficiente e perigosa, mas, mesmo com essas deficiências, o artigo acima pode (e deve) nos inspirar a fazer um autoexame para verificarmos se estamos trilhando o caminho do fanatismo, bem como identificarmos pessoas do nosso relacionamento que possam ser avisadas de que há algo errado na sua forma de agir e pensar. 

Fazendo isso, estaremos não só contribuindo para o nosso conforto próximo, imediato, mas daremos uma boa parcela de contribuição para o bem da humanidade, já que os mais perigosos fanáticos foram, um dia, pessoas pacíficas e comuns como nós.

4 comentários:

  1. helio, sabe um tempo quando eu nao tinha muito ideia da palavra,me deixava influencia por certos pastores, e as vezes acaba sendo fanatico e principalmente IGNORANTE com certas pessoas e as vezes sobre um assunto eu falava que nao existia tal coisa e aquilo era errado e no final era eu que estava cego e desrespeitando. mas graças ao meu jesus cristo e a deus, hoje sou calmo e respeito as pessoas e evito entrar em aspectos religiosos. um exemplo de uma pessoa que as vezes nao tolera e o pastor silas, nada contra acho ele um grande homem de deus, mas adora fazer uma critica. abraço

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  2. Meu querido irmão Lucas,

    Temos realmente que ter muita paciência para esperar a orientação e o testemunho do Espírito Santo (1 João 5:7), pois é Ele que nos testifica quem é dEle e quem não é. Afinal, a Palavra nos alerta que não devemos confiar em príncipes, nem em homens em quem não há salvação (Salmo 146:3)e amaldiçoa o homem que deixa outro homem comandar sua vida no que diz respeito à relação com Deus (Jeremias 17:5).

    Deixe, portanto, que o testemunho do Espírito Santo te diga quem (e o que) pertence a Ele ou não.

    Abraços do teu irmão,

    Hélio

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  3. cura para o fanatismo? fechar todas as igrejas evangélicas.

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  4. É interessante notar que, jamais se fale abertamente do fanatismo judeu, que controla os meios de comunicação de massas norte americanos e, conduz corações e mentes da maioria das pessoas, enquanto encoberta aniquilações de povos mundo afora.

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