terça-feira, 29 de abril de 2008

O evangelho de Lucas - parte 25

Em Lucas 14, vemos novamente nosso Senhor entrando na casa de um fariseu, convidado para jantar, ou como diz o texto, comer pão. No sábado as refeições eram mais elaboradas, por motivos religiosos. E este tema domina o capítulo. Provavelmente ele convidou nosso Senhor para o pegar em alguma palavra (Mt 22:15), como estavam acostumados. Por isto talvez o primeiro versículo diz que eles estivessem o observando. Apesar disto, e apesar de conhecer o pensamento deles (Lc 5:22), Jesus sempre ia quando era convidado. Nosso Senhor nunca recusou um convite, por pior que fosse quem o convidava. Devemos sempre seguir seu exemplo, e pregar a palavra de Deus a todos. Todas as vezes que nosso Senhor fez isto, acabou dando uma grande lição para todos.

Para ensinar novamente a caridade e provavelmente também por que os fariseus o observavam, tomou um homem hidrópico, e questionou se poderia curar aos sábados. Estava levantada a questão: grandes refeições no sábado eram incentivadas como forma até de ser perdoado, mas e a caridade? Valeria ela tanto quanto festas, para se obter o perdão? Jesus então cura o homem, que sofria de uma doença rara.

Qual o argumento que Cristo usou para curar no sábado? Que fariseus e doutores da lei salvavam até seus animais de poços, por que Cristo não poderia salvar aquele homem? Para isto, eles não poderiam responder.

Observando o modo como as pessoas se comportavam, nosso Senhor resolveu ensinar a humildade aos presentes através de uma parábola. Aquele que chega em uma festa e se senta nos primeiros lugares, tem muita chance de ser levado aos últimos lugares, por se sentar onde não está reservado a ele. E isto seria uma humilhação. No entanto, quem se senta nos últimos lugares, terá sempre chances de ser exaltado. Assim acontece com aqueles que se humilham, aqueles que não buscam honra diante dos homens. Devemos entender corretamente o que é humildade. O humilde se contenta com o pouco porque ele não busca honra diante dos homens. Quando buscamos muito para nos exaltar, não estamos sendo humildes. Diferentemente quando você busca fazer o melhor, em seu trabalho por exemplo, não para chamar a atenção de seus patrões, mas porque é justo trabalhar da melhor forma possível, você não está ferindo a humildade.

Para aqueles que festejam também a humildade pode ser expressa, quando se convida pessoas que não podem festejar e chamar a pessoa. Além da humildade, há caridade nisto. Devemos sempre lembrar, como cristãos, que devemos ajudar aqueles que não podem ajudar ninguém. Se um homem ajuda pessoas que podem lhe retribuir, ele será retribuído aqui, nesta vida. Mas se um homem ajuda aqueles que não podem retribuí-lo, é Deus quem o retribui. É fácil entender a vantagem da última. Pois a retribuição se dará na ressurreição dos justos.

Ao falar nesta expressão muito comum no meio judaico, um homem responde a Jesus: "Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus." Acontece que a expressão era muito comum na escatologia judaica, para se referir ao reino messiânico terreste, governado pelo Messias. Segundo as espectativas judaicas, este reino seria temporal e composto apenas de judeus.

É por isto que o evangelista emprega então uma conjunção adversativa, porém, para introduzir a resposta de Jesus. Jesus negaria então a declaração daquele judeu, mostrando que os judeus como nação eleita não mais existiria. Para isto, empregou outra parábola. Nela, um certo senhor faz uma festa, e manda convidar seus amigos, que representam os judeus sendo convidados para o reino de Deus por Ele. Alguns disseram que compraram um campo ou animais, mostrando que muitas vezes os judeus se preocuparam mais com bens materiais do que com o reino de Deus. Outros falaram que se casaram, indicando que as preocupações com a família tomaram mais importância que este reino. Irritando-se o senhor com isto, enviou o servo para que buscasse todos que pudessem encontrar, e que queriam vir, não os amigos, mas os pobres e aleijados, que estariam simbolizando os gentios. Feito isto, havia ainda lugar para mais pessoas. Então o patrão diz para que o servo fosse pelos caminhos, e obrigasse eles a entrar, ou compelisse. Apesar da palavra poder ser usada para uma obrigação forçada, ela poderia ser usada também por um convencimento através de argumentação, como no caso abaixo:

(Mt 14:22) Logo em seguida obrigou os seus discípulos a entrar no barco, e passar adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões.

Esta parábola nos mostra por que os judeus foram rejeitados como nação, apesar de que judeus individualmente podem ser membros do corpo de Cristo, como os apóstolos e primeiros cristãos foram. Não devemos dar desculpas para não sermos cristãos hoje. O cristianismo é uma religião que enfatiza o hoje, por isto não devemos alongar demais nossas decisões e atos, não devemos viver sob máscaras.

Justamente para complementar isto que falou pela parábola, Jesus diz claramente que o cristão aborrecerá seu pai e sua mãe, aborrecerá até sua própria vida, em algumas versões aparece a palavra odiar. A palavra usada aqui é miseo, que parece incluir desde não gostar de alguma coisa até odiar com a intensidade máxima. Jesus fala especificamente destes casos onde várias coisas se colocam entre a pessoa e Cristo, que foi relatada na parábola. Quem destes escolher os pais, não pode ser discípulo de Cristo. Quem não levar sua cruz, que são suas aflições, não pode seguir Cristo. E todo mundo deve estar ciente disto, pois aquele que passa a ser seguidor de Cristo sabendo disto, e não estiver preparado para isto, terá agido de forma irresponsável.


Obs.: Para acessar o estudo feito pelo Hélio sobre Lucas 14, neste blog, clique aqui.

Um comentário:

  1. Gostei demais!
    A simplicidade de como o texto é abordado, torna-o mais comreensível ao entendimento de quem o busca
    PARABÉNS e obrigada!

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