sexta-feira, 24 de junho de 2011

Vozes dissonantes e portabilidade na Marcha para Jesus 2011


Da Marcha para Jesus realizada ontem em São Paulo, sob o comando de pastores e "apóstolos" de moral ilibada, dois testemunhos merecem ser destacados por irem contra o monótono discurso oficial da parada gospel

O primeiro - de leitura obrigatória - é o do blog Uma Estrangeira no Mundo (de onde vem a foto acima), intitulado "Roubados e Agredidos na Marcha para Jesus de São Paulo", sobre a violência perpetrada contra quem pacificamente discorda dos líderes do movimento, que merece ser lido na íntegra, mas fica aqui apenas um trecho:
Sem dúvidas, o tratamento que recebemos foi premeditado, planejado pela organização do evento gospel. Nossas faixas não ficaram abertas nem dez minutos, antes de serem brutalmente arrancadas de nossas mãos. Não tiveram medo de agredir mulheres, nem na frente dos fiéis que marchavam. Só não fizeram coisa pior porque a polícia estava ali, presente.

O que relatei acima foi o que aconteceu comigo, e fatos nos quais eu estava presente. Cada participante teve suas próprias experiências (por exemplo, o Julio conversou cara-a-cara com o Malafaia e o Jabes), e por isso é importante visitar todos os blogs e ler todos os relatos. Em todos, porém, uma característica básica: a intolerância, que gera a violência.

E violência entre pessoas que dizem estar ali para marchar para Jesus!

O segundo relato vem da cobertura da Marcha pelo site IG - Último Segundo, cujo trecho final - sobre a aposentada Jovelina das Cruzes - merece também ser lido e ouvido:
Entre os milhares de pessoas que participaram da marcha, os temas polêmicos também foram os assuntos principais. A reportagem do iG abordou um grupo de oito jovens que veio de Cidade Adhemar para a marcha e perguntou quais as opiniões deles sobre direitos homossexuais, homofobia, aborto e legalização da maconha. Com visual moderno, estilo emo, todos disseram ser contra a união civil de pessoas do mesmo sexo, aborto e legalização das drogas e defenderam os pastores que consideram o homossexualismo uma prática pecaminosa.

"Quem defende o homossexualismo e a maconha está aqui a serviço de Satanás", disse o auxiliar de informática Natanael da Silva Santos, de 19 anos, que foi à marcha usando calça apertada, cinto de taxinhas e a tradicional franja emo. Enquanto a reportagem entrevistava os jovens, a aposentada Jovelina das Cruzes, de 68 anos, ouviu a conversa e fez uma intervenção. "Vocês estão falando sobre o que não conhecem. Meu sobrinho é gay e é um rapaz maravilhoso. Ótimo filho, muito educado, muito honesto e estudioso. Já o meu filho é machão e vive batendo na esposa, não respeita ninguém, não para no emprego."

Quando Jovelina virava as costas para continuar a marcha Natanael, que não se deu por vencido, fez uma observação. "Cuidado, tia. Se o pastor escuta a senhora falando uma coisa dessas ele não deixa mais a senhora entrar na igreja". E Jovelina respondeu. "Igreja é o que não falta por aí. Se me impedirem de ir em uma, vou em outra. Não tem problema."

Parece que a tia Jovelina descobriu - sem querer - mais uma característica marcante da igreja chamada "evangélica" no Brasil de hoje: a portabilidade. Só que existe também a, digamos, "portabilidade reversa": vai ter muita gente chegando diante de Jesus no dia do juízo final, todo pimpão dizendo que liderou ou foi à Marcha que tinha o nome dEle, e só vai descobrir - tristemente - que os salvos são outros... (Mateus 7:22-23)




5 comentários:

  1. Acho que voces deveriam escolher um dia para realizar sua marcha pela etica, ou para realizar seus protestos, voces não são melhores que ninguem para criar confusão e tumulto na marcha, grande cristã é voce para fazer gestos obsenos para a pastora no carro de som , muito sem noção todos la num movimento pacifico e voces indo protestar contra,digo mais , va na parada gay evangelizar ou protestar,ou va na procissão ou qualquer outra manifestação, ou melhor entre numa mesquita e faça igual ao catolico , melhor entra em contato com a prefeitura , cet policia etc pague por isso feche ruas alugue palco e carro de som e faça o protesto , se não respeite a teologia das igrejas pois acredito que voces não serão os unicos salvos

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  2. Obrigado, Anônimo,

    por vir aqui e ter paciência de ler uma opinião contrária à sua.

    permita-me, entretanto, uma observação: ruas são espaços públicos, destinados a todos, e não devem ser privatizadas, tomadas como propriedade de alguns, o que - infelizmente - parece que aconteceu com algumas "igrejas" que não têm mais membros, mas "torcedores"...

    Abraços!

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  3. Muito bem Hélio, ótima resposta.

    Eu cheguei num ponto que não consigo mais perder tempo com esta gente, larguei de vez todo "evangeliquês", graças a Deus, graças a graça de Jesus que me salvou desta idiotice.

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  4. Deixe-me responder ao anonimo que postou o primeiro comentário.
    Realmente não somos melhores do que ninguem, mas porque deveriamos fazer nossa propria marcha em outro dia e local? A marcha era para Jesus ou para a Renascer? Se era para Jesus eu tinha todo os motivos para ir. Alem do mais a organizaçaõ da marcha convocou os evangélicos a estarem lá. Creio no evangelho e portanto fui la a convite da organização.
    Se uma faixa com propostas para um evangelho puro e simples ou com textos biblicos ofende alguns o problema não é meu. O que é falado, "orado' e decretado durante a marcha me ofende como cristão e como evangelico, mas nem por isso sai agredindo ninguem nem tentando roubar os carros de som.
    Nosso protesto foi pacifico, como nos anos anteriores, quem criou confusão não fomos nós. Os bandidos que nos atacaram fizeram isso de forma premeditada, sabiam a hora e local que nos encontrariamos e nos aguardavam. AInda não temos como provar que foram contratados pelos organizadores da marcha, mas se não foram contratados foram mal ensinados em suas igrejas. Nâo eram ateus ou incredulos, eram sim "crentes" , se bem que não sei em que deus eles creem, talves cressem naquele que veio para matar, roubar e destruir e tentraram imita-lo.
    Se não podemos ir ,mudem o nome da marcha, tirem o nome de Jesus de la e não falem em nome dos evangelicos.
    Sobre o gesto obsenos citado, o gesto foi aquele que traduz roubo e tinhamos acabados de ter algumas faixas roubadas.
    SObre evangelizar na parada gay, porque quem sugere isso se considera menos carente da graça de Deus do que eles?
    Respeitamos as teologias , se bem que nosso protesto tem mais a ver com etica e moral do que com teologia. Alem do mais chamar de teologia as asneiras pregadas pelos picaretas é não entender o termo. Se a marcha era para Jesus não deveria ter uma "teologia" em destaque. ´Se a marcha era para Jesus, nossas faixas e dizeres tambem deveriam ser respeitadas, pois Jesus não é monopolio de ninguem.Eu estou pronto a responder com mansidão a quem questionar minha fé, assim como o apostolo Pedro ensinou em sua carta. E eles?


    Laudinei
    exemplobereano.blogspot.com

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  5. Cuidado com o que dizem

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