sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Matança de pajés na Amazônia peruana teria motivação religiosa

Balsapuerto, um distrito da província do Alto Amazonas, na Região de Loreto no Peru, se transformou numa estação de caça aos pajés das tribos locais, já que 14 deles foram assassinados nos últimos 12 meses, sem que ninguém tenha sido condenado pelas mortes, embora não faltem testemunhas que indicam quem está por trás dos crimes, segundo informa o investigador Róger Rumrrill para a revista eletrônica Contacto Latino. O maior suspeito seria o próprio prefeito de Balsapuerto, Alfonso Torres, tido como autor intelectual dos assassinatos, que teriam sido executados por seu irmão Augusto, também apelidado de "Mata-Bruxos" ("Matabrujos"). A RPP Noticias os acusa de terem motivações religiosas para cometer os crimes, já que fariam parte de uma organização missionária evangélica que atua na região e que precisaria limpá-la da "feitiçaria" que existe por ali. O fato é que o clima de impunidade é um incentivo para que a hostilidade e as ameaças contra os pajés continuem crescendo e se radicalizando, e - além da nebulosa questão religiosa - o que não lhes faltam são inimigos, que reúnem um arco de grupo sociais que ninguém imaginaria ver juntos numa situação como essa. Movimentos sem-terra se unem a donos de terras, à população ribeirinha e aos poucos habitantes da cidade, geralmente comerciantes, para combater o xamanismo aborígene, utilizando para tanto de expedientes criminosos. Interesses econômicos se aliam a superstições da gente comum, que imputam a morte de pessoas às práticas xamânicas, autoridades políticas que não querem ver o seu poder contestado ou dividido, farmácias que não vendem seus produtos industriais por causa dos remédios naturais prescritos pelos pajés, missionários inescrupulosos que os veem como ameaça à sua pregação proselitista, todas essas coisas se acumulam e jogam contra os líderes religiosos dos povos Chayawitas, Shayabit, Jebero, Balsapuertino, Shiwila, Shawis, entre outros. Os curandeiros assassinados são em sua maioria da etnia Shawi. Não é de hoje que o conhecimento das poções e plantas da selva andino-amazônica é cobiçado pelas indústrias farmacêuticas, sendo que muitas delas são acusadas de biopirataria, ao aproveitar a sabedoria medicinal ancestral, transmitida ao longo de gerações das tribos indígenas, copiá-las e patenteá-las em seus países de origem sem qualquer retribuição ao povo de onde "roubaram" a informação. No caso da chacina dos pajés peruanos, uma região pobre, onde habita uma gente sofrida e supersticiosa, de um povo que já sofreu os horrores da Inquisição colonial e o extermínio que lhes foi infligido pelos europeus, mais um genocídio latinoamericano está em curso, e muito provavelmente, para nossa tristeza geral, ninguém os socorrerá. Ignorância, apesar da rima óbvia, não combina com tolerância. Abaixo, dois vídeos que tratam do tema:







2 comentários:

  1. põe sinistro nisso, amigo...

    acho que mais sinistro ainda é o silêncio das pessoas que se dizem "civilizadas"

    obrigado pelo comentário!

    abraço!

    ResponderExcluir

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