terça-feira, 3 de maio de 2011

O cadáver que custou 1,3 trilhão de dólares

O jornal Valor Econômico dá hoje manchete ao fato de que a caçada a Bin Laden custou US$ 1,3 trilhão de dólares. Claro que há muitos outros valores e objetivos inconfessáveis envolvidos, mas o tamanho da cifra, inimaginável para qualquer mortal, dá uma ideia de como a maior economia do mundo se envolveu numa caçada de 10 anos, beneficiando o bolso de alguns em prejuízo de bilhões de pessoas, tendo como objetivo um fanático que burlou o maior aparato de segurança do planeta por quase uma década. Isto tudo sem contar o custo humano da empreitada, já que milhares de civis e militares perderam seu bem mais precioso - a vida - no transcurso dessa caçada insana. Insanidade que se revela não no fugitivo alucinado, mas no quanto esta montanha de dinheiro podia ter mudado o mundo, levando água tratada e energia elétrica a tantas casas, comida a tantos estômagos, educação a tantos cérebros e democracia a tantos povos. Este seria o caminho da lucidez: promover o bem comum global em prol da civilização e convivência pacífica entre os povos e as religiões. Entretanto, o trajeto da escalada militar foi o escolhido e, com isso, uma oportunidade de ouro foi perdida para a humanidade. Aliás, de ouro não; de 1,3 trilhão de dólares...

A matéria do jornal Valor Econômico foi reproduzida no site do Ministério do Planejamento e segue transcrita abaixo:



Após dez anos e US$ 1,3 tri, EUA matam seu inimigo nº 1

Alex Ribeiro | De Washington

O líder máximo da Al Qaeda, Osama bin Laden, foi morto numa operação americana domingo no Paquistão, resultado de uma caçada que, desde que foi lançada em 11 de setembro de 2001, envolveu duas guerras, um gasto calculado em US$ 1,283 trilhão pelo Tesouro dos EUA e mais de 4.000 americanos mortos nas operações militares no Iraque e no Afeganistão. "O mundo está mais seguro", disse ontem presidente Barack Obama. "É um lugar melhor por causa da morte de Osama bin Laden."

Ainda é bastante incerto se a morte de Bin Laden irá enfraquecer - ou pelo contrário, fortalecer - a organização terrorista responsável pelos ataques terroristas às torres gêmeas de Nova York e ao Pentágono. Mas é consenso que Obama, que estava com seus índices mais baixos de popularidade desde que assumiu o governo há dois anos, irá ganhar um impulso na disputa de sua reeleição do próximo ano.

Homem mais procurado pelo governo dos EUA, Bin Laden foi morto na cidade de Abbottabad, a cerca de uma hora da capital do Paquistão, Islamabad, depois de trocar tiros com uma equipe militar americana a serviço da CIA. A identidade foi confirmada por exames de DNA, e o corpo, jogado no Mar da Arábia, para evitar que o túmulo fosse cultuado por simpatizantes. Segundo o Exército americano, respeitando os ritos islâmicos, o corpo foi lavado e envolto em lençol branco. Um oficial americano leu textos religiosos, que foram traduzidos para o árabe.

Quando surgiram os primeiros rumores da morte de Bin Laden, no domingo, milhares de pessoas começaram a se juntar em festa em frente da Casa Branca, em Washington, e nos arredores da área onde ficavam as torres gêmeas, em Nova York. A morte de Bin Laden uniu o país. Líderes de oposição divulgaram mensagens de congratulações, incluindo o ex-presidente George W. Bush. Também houve declarações de apoio de líderes no exterior, como Nicolas Sarkozy da França e David Cameron da Inglaterra.

Antes da morte de Bin Laden, Obama havia indicado que, em dois meses, deverá iniciar a retirada de parte dos 100 mil soldados que estão no Afeganistão. Ainda assim, os gastos com as guerras tendem a crescer, passando dos atuais US$ 1,283 trilhão para US$ 1,4 trilhão ao fim deste ano, segundo estimativa do Serviço de Pesquisa do Congresso. Nos combates no Iraque, já foram gastos US$ 805 bilhões e, no Afeganistão, US$ 443 bilhões. O resto do dinheiro foi basicamente usado no reforço da segurança de bases militares.

Muitos afirmam que a guerra ao terrorismo é, para os Estados Unidos, a segunda mais cara da história recente, embora esse tipo de comparação seja controversa porque os números podem variar de acordo com a metodologia de cálculo empregada. O economista e ganhador do Prêmio Nobel Joseph Stiglitz estima que a Segunda Guerra tenha custado US$ 5 trilhões para os americanos, em valores atualizados até 2008.

Obama acompanhou da Casa Branca, junto com seus assessores de segurança nacional, toda a operação no Paquistão, a partir das 13h de domingo. A CIA chegou a Bin Laden após rastrear indícios extraídos de prisioneiros na base de Guantánamo, em Cuba, que durante sua campanha presidencial Obama havia prometido fechar.

O lider da Al Qaeda estava numa casa avaliada em US$ 1 milhão construída a menos de um quilômetro de uma importante base militar paquistanesa, o que reforçou entre muitos americanos a suspeita de que o governo daquele país está colaborando com a organização terrorista.

Os primeiros indícios de que Bin Laden estava naquela casa surgiram em agosto do ano passado, mas apenas nas últimas semanas as evidências se tornaram mais fortes. Obama presidiu pelo menos cinco reuniões que definiram a estratégia de ataque. A opção final foi por uma operação em solo, depois do pouso de dois helicópteros, em vez de bombardeio aéreo. Foi a alternativa considerada mais arriscada, porém permitiria que os soldados colocassem as mãos no líder da Al Qaeda.

Desde o princípio, os Estados Unidos trabalhavam com o cenário de que Bin Laden reagiria e seria morto. Também morreram três homens e uma das esposas de Bin Laden. Domingo à noite, depois que foi confirmada a identidade de Bin Laden, Obama fez um pronunciamento à nação comunicando a morte di líder terrorista. Ele reconheceu, porém, que a ameaça terrorista ainda não foi eliminada.

"Não há dúvida que a Al Qaeda continuará a organizar ataques", disse. "Devemos e vamos ficar vigilantes em casa e no exterior." O egípcio Ayman al Zawariri, segundo na Al Qaeda, deverá assumir o comando da organização.

Um comentário:

  1. Bem , o importante é que tudo aparentemente acabou . Ainda bem .


    A , tenho um post falando sobre o Led Zeppelin lah no meu blog .

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