segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sócrates é absolvido 2.410 anos depois

A justiça tarda, mas não falha. Tudo bem que se tratou apenas de uma simulação de julgamento promovida pela comunidade grega norteamericana. Tudo mal que o veredito final não tenha correspondido àquele que condenou Sócrates à morte por auto-suicídio com cicuta mais de 2 milênios atrás. Segundo noticia o site USA Greek Reporter, o Tribunal Federal de Nova York (The Federal Court of New York) foi o lugar onde foi encenado o julgamento do filósofo grego, considerado por muitos - justamente - como o Pai da Filosofia. Seguindo os antigos ritos processuais gregos, Sócrates foi indiciado nas mesmas acusações que o condenaram à morte: "impiedade para com os deuses" e "corrupção de jovens", expediente utilizado por seus adversários para tentar impedir sua revolucionária influência à época. Eminentes juristas de Nova York participaram do "julgamento" e coube ao advogado Benjamin Brafman representar o papel de Sócrates. Após profundos debates entre acusação e defesa, o veterano filósofo foi considerado inocente.

Ainda que a existência de Sócrates seja controversa (há estudiosos que o consideram uma "personificação fictícia" da escola de pensamento que Platão e outros sábios teriam inaugurado), a sua influência na história da humanidade, sobretudo do lado da civilização ocidental, é inegável. Se Sócrates estivesse presente ao seu julgamento de 2011, provavelmente teria dito que não o aceitava e ficaria mesmo com o veredito de 399 a.C., já que rejeitaria o anacronismo do fato, visto que não se pode julgar o homem de uma era com os preceitos de outra (supostamente) mais avançada. O tempo de Sócrates é um daqueles momentos fundadores da civilização, em que ele combatia o relativismo e a inconsequência dos sofistas, e pregava a necessidade de valores absolutos para a sobrevivência da sociedade em que vivia. Tempos difíceis e instáveis eram aqueles, e mesmo sabendo que podia ter evitado a sua morte com a ajuda de amigos influentes, Sócrates foi fiel ao que pregou. O seu ideal de justiça exigia que, naquele momento específico da história, ele se submetesse rigorosa e fielmente ao juízo de seus pares, mesmo que fosse injusto e ainda que isto significasse a sua morte. Acima do interesse individual, era imperioso estabelecer princípios organizadores (e absolutos) para a vida em sociedade. Mais do que o discurso, portanto, Sócrates deixou o exemplo, e é por isso que todos aqueles que prezam a democracia, o direito e a (ainda que fluida) justiça, nunca podem perder a oportunidade de homenageá-lo.

Um comentário:

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