quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Dois padres colombianos contrataram o próprio assassinato

Essa é uma daquelas notícias pra lá de esquisitas, que mostram a desproporção de foco da igreja católica entre os cuidados com seu próprio clero e as regras que pretende ditar à sociedade como um todo. A informação espantosa que chega agora é a que envolve dois padres colombianos, Rafael Reátiga Rojas (36 anos de idade) e Richard Píffano (37), que eram os responsáveis por duas paróquias encravadas na zona sul de Bogotá, a de Jesus Cristo Nossa Paz e a de São João da Cruz, isso numa região habitada pelas classes mais despossuídas da capital colombiana. Em janeiro de 2011, os paroquianos de ambas as igrejas foram surpreendidos com uma notícia um tanto quanto surreal: os dois padres haviam sido assassinados a bala dentro de um carro. Tudo parecia se encaixar na hipótese de latrocínio, já que, além de matá-los, os meliantes haviam roubado todos os seus pertences e objetos de valor. Mesmo em se tratando da Colômbia, um país marcado pela violência, inevitavelmente o caso gerou comoção nacional, até porque os índices de criminalidade - felizmente - caíram muito nos últimos anos. Começadas as investigações, as peças de um quebra-cabeças macabro começaram a se juntar, e as conclusões foram surpreendentes. Primeiramente, as pessoas mais próximas aos dois sacerdotes contaram que tinham percebido alguma coisa estranha acontecendo, já que ambos não só haviam deixado todas as pendências resolvidas antes de sua morte, bem como se recusaram a assumir qualquer compromisso posterior a 26 de janeiro de 2011 (a exata data do suposto "latrocínio"), inclusive o batismo de uma criança da família de um deles. O outro também, sem nenhuma razão aparente, transferiu todos os seus bens ao nome de sua mãe. Dois dias antes do "assassinato", de maneira bastante contundente (e estranha) o padre Richard também havia pedido aos fiéis que rezassem por ele. Além disso, na semana anterior ao crime, os dois padres fizeram uma espécie de viagem de despedida ao paradisíaco Cânion de Chicamocha, na região de Bucaramanga, cerca de 400km ao norte de Bogotá (o vídeo abaixo, da TV Caracol, diz que ali eles pensaram em lançar o carro no despenhadeiro, numa versão masculina do filme "Thelma & Louise"). Fazendo jus ao ditado popular que diz que "onde há fumaça, há fogo", a polícia não considerou normal esse comportamento dos padres pouco antes de sua morte conjunta, e decidiu ir mais fundo na investigação. Ao analisar as contas dos celulares de ambos, começaram a cruzar as informações, obtendo autorização judicial para grampear e localizar um dos aparelhos que ainda estava sendo utilizado após a morte dos padres, o que levou os investigadores a dois conhecidos criminosos da região, um deles de apelido "Gavião" (evitaremos piadas mórbidas a respeito). Ao ser confrontado com as evidências irrefutáveis, um deles confessou que havia recebido 9.200 dólares dos padres para matá-los numa simulação de latrocínio. A metade do pagamento foi feita dois dias antes de cumprir o pacto macabro, e o restante foi pago minutos antes da execução. A dúvida que restou foi saber qual era a real motivação do crime, e aí a polícia se deparou com uma nova surpresa. Embora dados oficiais ainda não possam ser revelados, segundo a promotora responsável pela causa penal, Ana Patricia Larrota Pacheco (entrevista abaixo no vídeo da Caracol), tudo indica que os dois padres  fizeram um "pacto de sangue", já que viviam uma relação amorosa de casal homossexual e pelo menos um deles era portador do vírus da AIDS. Apurou-se ainda que ambos eram frequentemente vistos em boates gays da capital colombiana, sem que ninguém soubesse a verdadeira identidade deles. O padre Reátiga (à esquerda na foto acima) estaria num quadro de profunda deterioração física e a hipótese mais provável, ainda que invada as raias do absurdo, é que ambos tenham tomado a decisão bizarra de forjar o próprio "assassinato" para evitar que seu romance proibido e sua história de vida viesse à tona. Parece que de nada adiantou seguir este caminho do "suicídio simuladamente assistido", que se situa, digamos, além da imaginação. Os dois fizeram juntos o seminário, e mantiveram esta estranha ligação até a morte. Curiosamente, além de teologia e filosofia, também fizeram pós-graduação em bioética, área em que a igreja católica concentra a sua mobilização ideológica. Fica a impressão, entretanto, de que a igreja faz tanto barulho nessa questão não só pelo direito que lhe assiste de opinar e se movimentar politicamente, mas em detrimento da formação de seu clero ou para abafar esse tipo de situações insólitas que acontecem no seu seio.



Fontes: jornais Clarín da Argentina e El Tiempo da Colômbia



2 comentários:

  1. Chocada! Não pode ser real..... um vazio completamente sem Deus, preenchido pela religiosidade suicida. Oh, quantas histórias bizarras de padres ainda veremos??? Isso dá um bom roteiro de filme. :(

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  2. Aleluia que não existe esse tipo de coisa entre pastores evangélicos, e queira ou não Jesus é culpado pelos crimes que Judas cometeu.

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