quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Dawkins não sabe o título da obra-prima de Darwin

Por essa Richard Dawkins não esperava... teve que experimentar do próprio veneno. Ele já andava estranhamente eufórico ultimamente, divulgando os resultados (nada suspeitos) de uma pesquisa patrocinada por sua própria fundação, que concluiu que as pessoas que se declaram cristãs raramente oram ou leem a Bíblia (como se isso fosse uma novidade estrondosa). Talvez ele não tenha querido gastar dinheiro com uma instituição isenta para constatar essa obviedade, e por isso a Fundação Richard Dawkins para a Razão e Ciência levou a cabo uma impactante sondagem de opinião pública que revelou que poucas pessoas são verdadeiramente cristãs.

(Opa! Parêntesis inevitável. Esperem aí, queridos amigos ateus! Não eram vocês mesmos que jogavam na cara dos cristãos, por anos a fio, que nós não podíamos usar a "falácia do escocês" toda vez que dizíamos que determinado sujeito não era, na verdade, cristão? Agora vem o Dawkins e diz exatamente a mesma coisa que nós dizíamos? E ele precisou fazer uma "pesquisa estatístico - científica" pra constatar isso? Quem é que surtou?)

A "pesquisa" concluiu ainda que 1 de cada 6 cristãos nunca leu a Bíblia e apenas 28% acreditam, de fato, nos ensinamentos cristãos. A intenção (na verdade, o "tiro pela culatra") de Dawkins era demonstrar que, se tão poucas pessoas são verdadeiramente cristãs, não se justifica a influência e os símbolos cristãos na educação e nos aparatos públicos. Depois dessa inesperada validação dawkinsiana do "cristão verdadeiro" (os ateus terão que nos engolir agora!), o pior (para Dawkins) ainda estava por vir. É que ele não contava com a astúcia do chanceler anglicano da Catedral de São Paulo, Rev. Giles Fraser, que lhe jogou uma casca de banana no meio do caminho. Num debate radiofônico (áudio no youtube abaixo) entre ambos dentro do contexto do movimento mundial de protestos civis "Occupy", ao se gabar dos dados que mostram que 2 de cada 3 cristãos não sabem qual é o primeiro livro do Novo Testamento (Mateus, para os esquecidinhos), o que para ele, é "surpreendente", Richard Dawkins verdadeiramente ficou surpreendido mesmo é com a pergunta que o Rev. Fraser lhe contrapôs em seguida: "Então me diga o título completo da 'Origem das Espécies' de Charles Darwin...". Darwin corou, gaguejou, escorregou e não conseguiu responder. O Rev. Fraser então tripudiou: "Você é o papa do darwinismo. Se você fizer a mesma questão aos evolucionistas e apenas 2% deles responderem corretamente, seria terrivelmente fácil para mim dizer que eles também não acreditam nisso de jeito nenhum". Ora, muitos não crentes sabem de cor vários versículos bíblicos (alguns o salmo 23 e o Pai Nosso inteiros). Como é que o "papa ateu" não sabe o título completo da obra-prima de seu máximo mentor?

Dawkins ainda tentou contestar Fraser dizendo que se tratava de uma "trapaça", como se ele próprio não recorresse aos mesmos expedientes. O que o Rev. Giles Fraser fez, na verdade, foi expor Dawkins ao próprio estilo rasteiro de argumentação rasa a que ele tanto recorre (e se vangloria). Uma retórica que apela ao emocionalismo mais barato dos dados mais singelos, e daí extrai uma conclusão universal, não fica nada a dever aos maiores demagogos que a história da humanidade já registrou. Enfim, foi mais um momento constrangedor na carreira de Richard Dawkins, e que demonstrou - ao fazê-lo experimentar do próprio veneno - que ele vai bem (enquanto não o pegam com a boca na botija) no campo da argumentação rasteira, o que pode até convencer mentes mais rasas, mas o faz querer fugir desesperadamente de debates mais sérios, como aquele com William L. Craig, que ele foge como o diabo da cruz. Dawkins amigão, eu bem que tento te esquecer um pouco aqui no blog, mas devo admitir: você é uma fonte inesgotável de inspiração!

P. S.: O título completo da obra de Darwin é "On The Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in The Struggle for Life" ("Sobre a Origem das Espécies por Meios de Seleção Natural, ou A Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida"). Só pelo título você entenderá o porquê de Hitler ter gostado tanto do livro...

Fonte: Mail Online

O áudio do debate com a engasgada antAlógica do Dawkins:




Leia também: Meninos tacando pedras nos vitrais das catedrais



10 comentários:

  1. Pera lá xará!

    Deixa eu ver se eu entendi. Quer dizer que para Dawkins quando alguém não conhece determinado título de um livro ou não sabe ao certo como os capítulos deste livro se organizam em seus "subtitulos" é por que o tal não acredita no que esta escrito ali?

    É isso?

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    1. é isso mesmo, xará! portanto, todo torcedor tem que saber escalar o time inteiro de 1900 e epa na ponta da língua, senão não é torcedor do time... se bem que é isso o que o Dawkins entende por crença ou descrença: uma "torcida" apenas...

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  2. Mas que falácia.

    Por isso vemos como o Rev. Fraser lhe desmontou num instante.

    Eu lhe perguntei pois acho improvável alguém usar de uma argumentação tão esdrúxula a fim de dimininuir o número de militantes que verdadeiramente professam a fé cristã.

    Eu por exemplo sei perfeitamente que o primeiro livro do Novo Testamento é Mateus, mas por agora não saberia te dizer qual é o décimo sétimo livro da bíblia. De acordo com Dawkins eu não acredito no que esta escrito ali.

    Será que temos esse debate disposto no YouTube?

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    1. Xará, foi num debate transmitido pela rádio. Felizmente consegui localizar o áudio no youtube e já disponibilizei no texto acima. Obrigado pela dica. Abraço!

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  3. Putz, que fail imenso do Dawkins. Uma pesquisa muito tola e infantil promovida por sua Fundação, que deu origem a um debate inteiro de bobagens.

    Mas esse tom de haterismo gratuito desse blog me enche o saco, na boa. Eu acho saudável apontar falhas e fazer análises críticas do que qualquer um fala, mas ficar vibrando e dando risadinhas porque o arqui-inimigo ateu pisou na bola é tão jardim de infância. Eu acho que a religião é um tema muito rico (social e filosoficamente) pra ser tratado dessa forma rasteira, tanto pelo Dawkins, quanto por esse blog.

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    1. Este comentário é realmente interessante. Confesso que demorei muito tempo para colocar em palavras o que eu via de errado neste comentário... Mas eu sabia que havia algo estranho neste comentário...
      Você faz algo interessante, que é reconhecer que a religião é um tema rico. Mas você demonstra incapacidade em reconhecer esta riqueza social e filosófica em cada instância do debate religioso. O próprio debate com o ateísmo é um debate rico e muita coisa significativa pode ser retirado daí.
      O texto acima usou de sarcasmo e ridicularização. Quem já debateu com ateus (e este não parece ser seu caso) sabe que sua metodologia de debates é baseada no sarcasmo e ridicularização (especialmente por parte dos fãs de Dawkins, e digo isto de experiência própria). Usou-se a própria linguagem daqueles que o idolatram. Ora, pelo menos quando eu debati com seus fãs de carteirinha, percebi que eram todos jovens, uma fase cheia de incertezas e de problemas com aceitação social...
      Por que menciono estas incertezas e problemas com aceitação social? Por que é muito fácil ridicularizar um religioso hoje em dia, e a posição mais cômoda é a do ateísmo. O ateu teoricamente não tem um corpo de doutrinas para defender, não tem líderes, não tem textos sagrados... Em teoria, ele não tem nada disto, embora este blog demonstre o contrário. Mas como ele não tem nada para defender, ele não pode ser atacado ou ridicularizado por causa de pessoas e coisas que vieram antes dele. Mas ele pode ridicularizar outros posicionamentos livremente. O ateísmo é muito atrativo para pessoas inseguras.

      Então quando alguém como Dawkins, que é um ídolo para estas pessoas inseguras, dá uma mancada destas, toda aquela insegurança é trazida à tona. O sarcasmo e o deboche usado pelo texto nada mais é do que trazer à tona tudo aquilo que levou estas pessoas a procurar o ateísmo em primeiro lugar. Será que os ateus são mesmo tão coerentes e inteligentes, e os religiosos são tolos? Será que buscaram o ateísmo com motivações erradas? É incrível como você não foi capaz de notar em toda esta riqueza de detalhes neste debate, e mais incrível ainda foi dizer que o "blog" trata religião de forma rasteira por causa de um post apenas. Mas será interessante observar que muitos vão aparecer aqui para reclamar do texto.

      Só para finalizar, me lembro que na escola havia toda esta coisa de grupinhos e de deboches com os outros... Naquela época ninguém tinha muita maturidade para lidar com estas coisas, então a resposta mais natural era taxar estes deboches de "criancice". Com toda aquela ansiedade de deixar a infância para se tornar um adulto, ser chamado de criança era a pior coisa para um jovem. Muito compreensível então sua resposta.

      Abraços.

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    2. "O ateísmo é muito atrativo para pessoas inseguras."
      Eu posso dizer o mesmo sobre qualquer religião e argumentar sem falhas sobre isso. Não acho uma boa ideia fazer esse tipo de comentário, termina sendo uma conclusão pobre ou muito insatisfatória.

      E, por favor, tente não adivinhar nada de minha personalidade lendo um post apressado e mal escrito. Eu aceito seus questionamentos ao meu post em si, mas o resto da sessão de terapia eu prefiro ignorar. Eu errei quando falei do blog como um todo, quando queria criticar apenas ESSA postagem, em particular. Relendo o que escrevi, vejo que falei besteiras.

      Enfim, eu não vejo problema em sarcasmo, pelo contrário. Só acho que fica muito notável o tom de competição que muitos adotam quando chegam nesse assunto. Richard Dawkins incluso. Isso eu critico.
      Ps: ainda não sei de onde saiu essa ideia de que Richard Dawkins é uma espécie de ídolo ateu. Ou vocês estão exagerando demais, ou eu deixei de perceber a quantidade de idiotas que existem.

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    3. Olá mais uma vez, Danilo.

      Minha conclusão pobre ou insatisfatória foi tirada observando-se fóruns onde a quantidade de jovens é muito grande. Portanto, estou tirando estas conclusões baseadas em observação, não em alguma coisa que sonhei qualquer dia destes. Talvez seja pobre para você, que questiona ainda como Richard Dawkins é uma espécie de ídolo ateu. Outra vez, digo isto por que eu tive contato com estas pessoas.
      Eu posso realmente adivinhar melhor sobre sua personalidade quando você escreve apressadamente. Pois é escrevendo mal e apressadamente que você não se preocupa em disfarçar a sua personalidade. Por exemplo, você diz muito que prefere ignorar a sessão terapia, mas isto tudo é pura retórica. Os dois comentários que você fez no blog são testemunho de que você de fato não quer ignorá-los.
      Então, talvez seja a hora certa de você refletir sobre o que realmente te deixou tão incomodado nesta história...

      Abraços.

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  4. Obrigado pelo comentário, Danilo!

    Se me permite uma observação, aquilo que você chama de "tom de haterismo gratuito" nós chamamos de "ridicularização proposital". Reconhecemos que, digamos, "nivelamos por baixo" exatamente para expor o ridículo a que Dawkins se expõe. Acompanhamos esses debates há muitos e muitos anos e também estamos com o saco cheio deles, por uma razão muito simples: quem é ateu continuará ateu, e quem é cristão continuará cristão. Eventualmente, um grupo virará a casaca pra lá e pra cá, mas isso faz parte do "jogo", uma palavra apropriada para descrever a polêmica, já que os papéis assumidos de lado a lado correspondem àquele mesmo papel de torcidas organizadas adversárias se encontrando nas redondezas do estádio.

    Você está absolutamente correto ao dizer que "a religião é um tema muito rico (social e filosoficamente)", assim como o humanismo secular. Não são vias mutuamente excludentes. E é exatamente por essa sectarização ridícula que nós nos sentimos autorizados a ridicularizar o Dawkins. Como ele não tem nenhum compromisso com essa riqueza histórica, cultural, social e filosófica, não nos sentimos no dever de ter qualquer compromisso retórico com ele. Assim, permitimo-nos descer ao jardim de infância e brincar como crianças ingênuas com suas risadinhas com temas tão sérios que foram propositalmente rebaixados por ele. Não queremos fazer guerra, mas brincar. Agora, não adianta nada o cara saber na ponta da língua o sequenciamento do DNA da bromélia e pagar um king kong desses. A gente tripudia mesmo, até porque viemos escutando essa mesma argumentação rasteira há muitos anos, só que contra nós. Chegou a nossa hora de devolver a gentileza, e isso não faz mal a ninguém, convenhamos.

    Abraço!

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  5. O que me é trite é que qualquer pensador sério, o que não me parece ser o caso da maioria tola, possui duvidas por mais evidencias que posua, e está aberto a largar de mão suas crenças laicas ou seculares, tão logo novas e confiaveis evidencias apareçam... Emquanto os tolos possuem certezas, por menos evidencias que possuam... Crer em revelações, respeitar quem quer que seja por autoridade é brincadeira de criança... Vamos ler, estudar e pensar mais, longe do medo e do temor, longe da crença de que exista algo onisciente, posto que se acredito nisto mesmo o pensar ja esta limitado e destruido.... Todos os religiosos merecem respeito no minimo por serem irmãos em espécie, todos os ateus merecem respeito tambem....

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