sábado, 22 de outubro de 2011

Richard Dawkins é só mais um cagão

Além de dormir de touca, o “papa” ateu Richard Dawkins foge do conhecido apologista americano William L. Craig como o diabo da cruz, conforme já tivemos oportunidade de nos referirmos aqui no blog, mais especificamente no texto “Líder ateísta britânica foge de debate com William L. Craig”:

A vergonha só não é maior para Polly Toynbee, entretanto, pois ela está na doce companhia ateia de Richard Dawkins, seu vice-presidente na BHA, que também se recusa a debater com William L. Craig apelando para os seus conhecidos insultos que a nada levam, senão a uma convicção crescente de que seu discurso só funciona na base da ofensa gratuita. Debate parece não ser o forte da diretoria da BHA, já que o outro vice-presidente, A. C. Grayling, autor da "bíblia humanista" intitulada "The Good Book", também bate o pé e se recusa terminantemente a debater com Craig. Talvez o "não" de Polly tenha sido parido num cafezinho nos corredores da BHA. Curioso: se eles dizem que a razão está do lado deles, do que eles têm medo afinal? Vai ver não querem sair mal na foto. A recusa de Dawkins em debater com Craig foi descrita como "apta a ser interpretada como covardia" por Dr. Daniel Came, professor ateu de Filosofia na Universidade de Oxford, que acrescentou que isto é uma "clara omissão" no curriculum do fujão Dawkins. Um debate com regras claras de argumentação não parece ser a praia dos ateus, a não ser que possam jogar areia na cara do oponente. Talvez este seja o caso de muitos deles, magoados com a religião (por motivos muitas vezes compreensíveis e razoáveis), que migram para o neoateísmo apenas para descarregar suas frustrações na verborragia inconsequente, sem pausa para pensar. Justo eles que se dizem livres-pensadores...
Depois de toda a repercussão negativa causada pela reiterada recusa de Dawkins em debater com Craig, a situação deve ter se tornado insustentável para o conhecido líder ateísta britânico, a ponto dele ter emitido uma nota oficial em que busca se justificar por não aceitar nenhum evento público em que ambos discutam a existência (ou não) de Deus. Dawkins começa atacando a condição intelectual de Craig, omitindo o fato de que outros expoentes ateus como Christopher Hitchens, a quem Dawkins se junta na hora que lhe convém, já terem debatido com o apologista americano, sendo que o blog ateu Common Sense Atheism, reconheceu que Craig “spanked Hitchens like a foolish child” ("espancou Hitchens como se fosse uma criança tola"). Ora, como é que alguém tão desqualificado, na visão de Dawkins, pode ter dado uma “surra” em um amigo seu? No mínimo, Dawkins está fazendo pouco caso do próprio Hitchens, talvez julgando-o indigno de dividir a mesma mesa na defesa do movimento neoateísta, já que apanha de Craig de vez em quando. Esta postura mostra, ainda, que Dawkins, a exemplo de muitos ateus, se julga tão imensamente superior aos outros que cria dogmas em torno de si mesmo, e os protege de tal maneira que chega a se recusar a debater com alguém que considera tão inferior. Afinal o neoateísmo está cada vez mais parecido com uma religião, com seus papas, suas fumaças brancas e seus dogmas que condenam e excluem sumariamente qualquer pessoa que ouse contestá-los. A nova inquisição ateísta também tem seus autos-de-(não)-fé.

A seguir, talvez reconhecendo que o argumento anterior é muito fraquinho e facilmente desmontável, Dawkins tenta construir outra razão tola para sua rejeição ao debate. Invocando a interpretação que supostamente Craig teria dado ao genocídio de cananeus em Deuteronômio 20:13-15, diz que não poderia dividir o mesmo ambiente com tal pessoa, sequer vê-lo ao vivo e a cores (“ai que ódio!”), como se fosse uma criança magoadinha que não quer brincar mais. Ocorre que Dawkins tira uma frase de Craig do seu contexto, em que o apologista justamente dizia que esses massacres bíblicos do Velho Testamento são difíceis de entender e aceitar para um cristianismo que foi forjado (e forjou a sociedade em que vivemos) no caldeirão de amor, perdão e solidariedade que flui do Novo Testamento. Aliás, este é um recurso que muitos ateus utilizam para encerrar uma discussão que não lhes interessa ou que sabem que vão perder: apelam para aquilo que chamam de “genocídio” do Velho Testamento. Esquecem-se convenientemente que o próprio conceito de “genocídio” foi construído no século XX, mais especificamente a partir das atrocidades nazistas, que exigiram da humanidade uma postura clara e definitiva a respeito desta conceituação nebulosa que veio a ser tão debatida (e definida) no Julgamento dos nazistas em Nuremberg (veja o texto “Einchmann em Jerusalém” para aprofundar-se sobre o tema). Além disso, a Bíblia não se preocupa em dar todos os detalhes históricos e culturais de determinada época ali narrada em todas as suas minúcias, e os mesmos ateus que criticam a historicidade bíblica acabam por confirmá-la quando buscam esses argumentos. Adotam, portanto, critérios seletivos do que vale e do que não vale na Bíblia, a seu bel prazer. Isto sem falar no anacronismo, já que aplicar conceitos atuais a fatos ocorridos milênios atrás depõe contra qualquer tentativa séria de se entender o fenômeno observado. Desta forma, invocar os “genocídios” do Velho Testamento é só mais uma arma que ateus gostam de brandir com mórbido prazer, já que – por não terem nada a propor – se preocupam apenas em atacar e ofender gratuitamente para se justificarem aos seus próprios olhos, o que revela outra característica que lhes é peculiar: ora, ninguém é obrigado a crer em nada, e se não crê, que seja feliz assim, mas o curioso é que a negação não basta e essa descrença só consegue ser justificada mediante a ridicularização do oponente, sobretudo na base da agressão gratuita e desrespeitosa.

Como já vimos acima, a recusa de Dawkins em debater com Craig já havia sido descrita como "apta a ser interpretada como covardia" por Dr. Daniel Came, professor ateu de Filosofia na Universidade de Oxford, que acrescentou que isto é uma "clara omissão" no curriculum do ateu fujão. Agora, depois da chorosa nota oficial que ele se viu forçado a emitir para tentar se justificar, na sua coluna no jornal britânico The Telegraph, o historiador Tim Stanley comenta que Richard Dawkins ou é tolo ou covarde por declinar o convite para debater com William L. Craig, diz que ele não sabe o que significa "apologética" e aponta uma possível razão para a recusa: é que Dawkins só debate com religiosos britânicos (algo de que se gaba), os quais, apesar de suas credenciais intelectuais, são dóceis e verdadeiros cordeirinhos no trato com seus oponentes, algo muito distinto da tradição norteamericana na qual Craig foi formado, que é muito mais dura, incisiva e – sobretudo – treinada no que há de melhor e de pior na retórica, o que – muito provavelmente – levaria Dawkins a tomar uma “surra” equivalente àquela que Hitchens tomou de Craig, algo impensável para um ego desse tamanho. Já no (também britânico) The Guardian de hoje, o cético Daniel Came afirma que Dawkins está sendo oportunista ao usar as frases de Craig como uma cortina de fumaça para esconder as reais razões que o levam a rejeitar o debate com o americano, abrindo ainda espaço para a nostalgia dos antigos e bons debates entre Bertrand Russell e o padre Copleston, que foram transmitidos pela rádio da BBC em 1948. Segundo Came, o que há de novo no movimento neoateísta é a sua postura reiterada de diminuir e desprezar os crentes, e a fúria que cerca essas polêmicas, daí sugerir que os "novos ateus" podiam aprender mais com o "velho ateu" Russell, sobretudo com uma abordagem mais poderosa que não deixe, entretanto, de ser também respeitosa e um modelo de precisão filosófica. Difícil mesmo vai ser convencer os neoateus a aprenderem algo com outras pessoas, mesmo que elas sejam antigas e sábias personalidades ateias (o ego não permite). Came conclui seu artigo assim:
Como cético, eu tendo a concordar com a conclusão de Dawkins a respeito da falsidade do teísmo, mas as táticas desenvolvidas por ele e por outros "novos ateístas" me parecem que são fundamentalmente ignóbeis e potencialmente danosas à vida intelectual pública, isto porque há algo cínico, vergonhosamente paternalista e anti-intelectual no seu modus operandi, que é a assunção implícita de que vaiar e insultar é uma maneira efetiva de influenciar as crenças das pessoas sobre a religião. A presunção é que suas leituras largamente não-acadêmicas não se importam, ou são incapazes de pensar sobre as coisas; a paixão prevalece sobre a razão. Ao contrário, as atitudes das pessoas em relação à crença religiosa podem e devem ser moldadas pela razão, não pela bílis ou pela ofensa gratuita. Ao ignorar essas coisas, os neoateístas buscam substituir uma forma de irracionalidade por outra.
Apesar das críticas dos seus próprios companheiros, imaginando ainda que não vai sair mal na foto, Dawkins insiste em continuar em sua bad ego trip narcisista no seu pedestal (ou trono “ateopapal”), mas, cá entre nós, bem no popular (e adiantando nosso pedido de desculpas), apesar dessa pose toda, Dawkins é só mais um cagão.





13 comentários:

  1. Ele diz não ter interesse de debater com pessoas que ele considera como "debatedores profissionais".

    Em um outro vídeo do YouTube ele afirma que debateria com líderes religiosos, com o Papa ou qualquer um outro mas não teria tempo para debater com pessoas que somente é conhecido pela fama de debatedor profissional que possui - e isso acompanhado dos berros e aplausos de seus fantoches que o tem como um "deus" nessa nova religião chamada "neoateismo".

    Se ele falava isso do Craig errou feio. Na verdade ele não passa realmente de um "cagão" e achou esta evasiva para não ter suas teorias colocadas à crivo por alguém que domina o assunto e já colocou muito ateu na linha.

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  2. Craig é um bom debatedor, nisso eu tiro meu chapéu para ele, mas seu ponto de vista, na minha opinião, é fraco. Dawkins, por outro lado, tem um ponto de vista sólido, mas não tem muita habilidade para debater.

    Agora, você dizer que Craig deu uma "surra" no Hitchens? Essa eu não engulo. Já vi dois debates do Craig - um contra Sam Harris e outro contra Bart D. Ehrman. No primeiro, Craig foi evasivo em alguns pontos. No segundo, utilizou um argumento matemático feito por outro indivíduo de forma extremamente errada - coisa que não fica evidente no debate, a não ser que você seja um matemático ou que você conheça a fonte deste argumento: a tese de Richard Swinburne.

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  3. Obrigado pelo comentário, Gustavo!

    Apenas esclarecendo que foi o blog Common Sense Atheism que disse - no link indicado - que William Craig “spanked Hitchens like a foolish child” ("espancou Hitchens como se fosse uma criança tola").

    Abraço!

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  4. Eu é que agradeço pelo blog, Hélio, seus textos são muito bem escritos :)

    Qualquer dia desses eu assisto ao debate para ver se eu concordo com essa afirmação.

    Abraço.

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  5. Os seus comentários são sempre muito bem-vindos, Gustavo!

    Abraço!

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  6. Vocês não acham algo perturbador essa noção de vencer um debate, ou de debatedores profissionais? Mestres da retórica, e coisas do tipo? Essas noções, na minha humilde opinião, são de uma covardia intelectual imensas. O William Lane Craig se vale muito disso. Muita retórica subversiva e apelona para tentar sustentas suas ideias fracas. Uma argumentação tão confusa e entrelaçada que confunde qualquer um. Aí quando alguém, por pura humildade, confessa não ter resposta, ele vibra pela vitória. E os outros assumem sua postura arrogante como "espancar como se fosse uma criança tola". O debatedor profissional é apenas uma criança que usa a razão como uma arma. Uma perversão da racionalidade que eu, particularmente, considero muito problemática.

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  7. Caro Anônimo,

    Concordo com sua análise. Embora eu seja cristão, acho que esses debates públicos, com direito a plateia, torcida e tudo que os cercam, servem mais aos egos dos debatedores do que propriamente a essa ou àquela causa. Claro que há pessoas que se sentem representadas por cada um dos pontos de vista opostos, mas acho que a pregação do teísmo ou do ateísmo faz mais sentido dentro de um círculo em que as pessoas tendem a concordar com o que está sendo dito ou, pelo menos, têm a liberdade de questionar separada e/ou individualmente os pontos em que discordam. Nos EUA, principalmente, existe um circuito profissional desses debates, e tudo gira em torno do "espetáculo" que eles proporcionam. Daí vêm as dúvidas pelo fato de uns aceitarem debater com alguns mas não com outros. Já que é tudo "entertainment", equivalente a uma campeonato com direito a torcida, por que recusar ir à final do Superbowl?

    Obrigado pelo comentário!

    Abraço!

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  8. Tudo seria bem mais simples se o Sr. William Lane Craig nos dissessem quem criou o mundo. Sim....foi deus....criou adão e da costela criou eva....blablabla.....e quem criou deus? algo veio do nada inexoravelmente....comparar os argumentos de Richard Darkinson com essas estorinhas de um livro ridículo chamado bíblia.....sinceramente é dose pra elefante. o deus do velho testamento ordenou a matança de mais de 2 milhõe de pessoas, até um senhor que cortava lenha ao sábado, sem contar o dilúvio (rsrsrs). E no novo, também ordenou matança, em número bem reduzido.....

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    1. Cara, curti o "Darkinson", ficou show.... obrigado! abraço!

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    2. Já eu gostei do "quem criou deus"... Este é um grande indício de que a pessoa não sabe nada do que está falando...

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  9. eu li o livro o gene egoísta e tb Deus é um delírio é patético e ofensivo a inteligência atribuir tudo ao evolucionismo ¨mágico¨ que cria a vida a partir do acaso,porque ele não oferece uma explicação para o designer inteligente o Dawkins é um covarde e um degenerado, um invertido um erro da natureza e sua paixão pela causa gay explica tudo,ai eu sou uma vítima é sempre esse papo, asquerosos

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  10. Ora, ora...Se os debates é um espetáculo, então que seja! Se Craig se vale disso ou daquilo, que seja então desmascarado. O que não vale é covardia de Mister Dawkins! Hélio, os debates não servem ao ego dos debatedores, poder servir para alguns, mas podemos aprender muito com esses debates, é só julgar, investigar, analisar...É certo que há torcidas, mas eu prefiro ser mais nobre e escutar as duas partes sem puxa-saquismos.

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  11. Ora, ora...Se os debates é um espetáculo, então que seja! Se Craig se vale disso ou daquilo, que seja então desmascarado. O que não vale é covardia de Mister Dawkins! Hélio, os debates não servem ao ego dos debatedores, poder servir para alguns, mas podemos aprender muito com esses debates, é só julgar, investigar, analisar...É certo que há torcidas, mas eu prefiro ser mais nobre e escutar as duas partes sem puxa-saquismos.

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