segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A bula papal contra Lutero não o leu direito



Hoje se comemoram 494 anos da Reforma Protestante, do dia 31 de outubro de 1517, em que Martinho Lutero afixou suas 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg. Em 15 de junho de 1520 o papa Leão X editaria a bula Exsurge Domine, em que refuta 41 dessas teses, exigindo que Lutero se retratasse por seus erros, oferecendo-lhe um prazo de 70 dias contados a partir da publicação. Conforme você já percebeu (é uma simples questão aritmética), o papa concordou com 54 teses de Lutero. No dia em que vence o prazo para se retratar, em 10 de dezembro de 1520, Lutero queima a bula juntamente com alguns volumes de Direito Canônico. O curioso, quase 5 séculos depois, é perceber que a própria bula papal ou não entendeu o que Lutero escreveu, ou leu coisas que ele não incluiu em suas 95 teses, segundo o texto abaixo, de James Swan, traduzido pelo co-editor deste blog, o Gustavo, e publicado no site E-Cristianismo:

Quão acurada foi a Exsurge Domine em refutar Lutero?

No fórum Catholic Answers Apologetics, a pergunta “Quais das 95 teses Roma não concorda hoje?” foi feita recentemente. Agora, se você nunca leu as 95 Teses, esta é uma leitura difícil. Não é um documento que faz muito sentido se você não estiver familiar com o fundo histórico e teológico da controvérsia entre Lutero e a igreja Romana.

Mas não se preocupe, eu vou explicar por que você não está sozinho se você não tiver certeza do que estava se passando nas 95 Teses ou o que exatamente Lutero estava dizendo naquela época que enfureceu tanto Roma. Parece que nem Roma estava certa sobre o que exatamente Lutero estava falando em alguns pontos.

A Igreja Romana lançou um documento explicando por que eles rejeitaram os ensinos de Lutero: Exsurge Domine, e isto foi notado pelos participantes do Catholic Answers: “Mas há a resposta original feita em 15 de Junho de 1520 pelo Papa Leão X. Esta foi uma encíclica papal intitulada de Exsurge Domine. Este documento delineia o veredito do Magistério da Igreja Católica sobre onde Lutero errou”. E outro comentário: “Por que não ler Exsurge Domine (Erguei-vos, Senhor), que foi a resposta oficial do Vaticano às Noventa e Cinco Teses e outros escritos de Lutero. Ela especificamente demandou que Lutero se retratasse de 41 erros específicos. Alguns deles eram das Noventa e Cinco Teses, algumas não. Ela no entanto não esmiúça as Noventa e Cinco Teses ponto a ponto”.

A pesar de ser um documento papal, eu argumentaria que o Exsurge Domine não é realmente de algum tipo de ajuda. Certamente não é nenhum tipo de ajuda infalível, como o apologista Católico Romano Jimmy Akin explicou recentemente. Eu também apontaria que as mentes mais brilhantes de Roma não sabiam bem o que estava acontecendo quando compilaram a Exsurge Domine. Eu recentemente me deparei com um comentário pertinente à falha da Exsurge Domine:

Como um documento legal a Exsurge Domine assumiu as refutações teológicas providas por Prierias, Cajetano e muito demonstravelmente, Eck. As breves denúncias e uma declaração incompleta dos ensinos de Lutero proveram pouca oportunidade para determinar os pontos mais detalhados das objeções magisteriais ao reformador (Hillerbrand 1969, 108-112). O documento não contém nenhuma hierarquia de condenação, nunca distinguindo qual dos quarenta e um erros são doutrinariamente heréticos e quais são meramente “ofensivos aos ouvidos piedosos” [Gregory Sobolewski, Martin Luther Roman Catholic Prophet (Milwaukee: Marquette University Press, 2001), págs. 67-68].


leia a íntegra do artigo (com referências) no site E-Cristianismo



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